Há alguns anos circulou entre as moças de classe média uma estranha fórmula de emagrecimento, chamada de "Flor da Índia". A fórmula, escrita na sua etiqueta, tinha vários fitoterápicos. Os resultados eram impressionantes, o marido de uma cliente chegou a emagrecer 10 kg em um mês. Ela quase apanhou dele algumas vezes, mas o emagrecimento era impressionante.
Desde que a Psiquiatria entrou em sua era moderna, com o advento da Psicofarmacologia, que o ganho de peso virou um grande tema para nós. Para o Cérebro de uma pessoa em Depressão, está faltando comida, está faltando combustível. Quando o tratamento começa a fazer efeito, o Cérebro vai logo repor as energias perdidas, ganhando peso mesmo sem um aumento tão claro do apetite. a pessoa procura pelos doces, carbohidratos e chocolates como nunca dantes. Os remédios também, dependendo da dose e do tipo de medicamento, acabam contribuindo para o ganho de peso. Achar uma forma de evitar esse ganho de peso é o Santo Graal da Psiquiatria e da Medicina nessas últimas décadas. Pois lá fui eu pegar emprestado uns comprimidos do "Flor da Índia" para experimentar. O apetite desapareceu, a saliva também. Boca seca, insônia, irritabilidade. Mandei formular os ingredientes da fórmula em Farmácia de Manipulação idônea. Nenhum resultado além de uma sede constante e do aumento(!)do apetite. Óbvio que o tal de Flor da Índia tinha um componente que não nasce em flor, nem na Índia. Era evidentemente um derivado de anfetamina, Fenproporex ou Anfepramona, escondido atrás das plantinhas, como Lobo Mau esperando a Chapeuzinho. A novidade para mim era que aquele composto, associado aos fitoterápicos, parecia ter um resultado bem superior ao dos derivados de anfetamina sozinhos. A tal da mulher que vendia a bomba foi presa, o tal "Flor da Índia" desapareceu da conversa dos cabeleireiros, eu comecei a estudar e explorar o mundo dos fitoterápicos como auxílio e diminuidores dos efeitos dos medicamentos no ganho de peso. Nunca achei um que se comparasse aos anfetamínicos escondidos no remédio pirata.
Há dois dias a ANVISA tornou ilegal o uso dessas substâncias. Efeitos colaterais, falta de estudos controlados e uso indiscriminado na população foram algum dos argumentos usados. Argumentos pífios, mesmo um psiquiatra pode saber. Os resultados da Medicina com a Obesidade são piores do que com o Câncer. Os anorexígenos que a ANVISA está caçando aos tiros tem resultados melhores no sobrepeso e nos quadros de obesidade leve e moderada. Eles, junto com a Sibutramina, tem efeitos bem mais discretos e mesmo inexistentes nas obesidades mais severas, com o agravante de ter, nessa população, os efeitos colaterais mais importantes. Vamos prejudicar uma parte da população para proteger a outra, é esse o raciocínio?
Nessa última década o PT conviveu com uma oposição dócil e desnorteada. Pois a presidente Dilma, na figura de seus funcionários da ANVISA, pode estar finalmente ressucitando a oposição. Alô, partidos políticos: chamem o Spinão. Já vejo os slogans: "Vocês querem emagrecer? A Dilma não!"; "Campanha de Perpetuação do Diabetes: votem no PT e seus candidatos de peso".
Eu pouco ou quase nunca prescrevi esses medicamentos. Sei que o Brasil é campeão mundial da prescrição dos mesmos, sobretudo em laboratórios clandestinos. Quero, e me esforço muito, para crer que essa proibição derive apenas da estupidez de plutocratas que não atendem um paciente há muito tempo e acham que vão consertar o mundo. A lógica do: "Se não dá para fiscalizar, então eu proíbo". Há milhares, quiçá milhões de pacientes que se beneficiaram do uso consciente, controlado e com seguimento médico desses medicamentos, que agora estão sem opções de tratamento. Logo, logo, os "Flor da Índia" da vida vão estar passando de mão em mão nos salões de beleza.
Vamos fundar, então, o Partido dos Gordinhos, que, unidos, jamais serão vencidos.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
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