Vou comentar os comentários. Achei os textos do feriado meio fraquinhos, mas, surpresa - geraram um monte de comentários. Que legal. Quem tem amigos não morre pagão.
Para começar, um comentário dá conta da concordância do leitor com a fala do psiquiatra das estrelas, Dr Drew, feito no Reality Show - "Celebrity Rehab" para o ator Eric Roberts (irmão da Julia Roberts). Ele falou para o sujeito: Você me parece um cara legal que vira um babaca quando usa drogas. Eu discordo completamente da frase. Concordo com as gravatas e as camisas do Dr Drew, embora sejam um visual um tanto mauricinho. E discordo completamente da frase. Eric Roberts descreve-se como um cara chato que quando usa Maconha e Álcool vira um sujeito legal, engraçado, com raciocínio e tiradas rápidas. Então, nesse caso, a ordem dos fatores altera o produto. Eric se sente um babaca quando está "careta" e se acha um cara legal quando embalado pelas substâncias, as drogas. Existe uma questão importante para se olhar nesses sentimentos de inadequação e baixa autoestima quando ele não está sob efeito das substâncias. Isso deve encobrir um quadro de Ansiedade Social (antiga Fobia Social) e mesmo um Quadro Depressivo, com uso secundário de Maconha e ÁLcool. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que o uso de substância é para aliviar os sintomas de ansiedade e depressão que estão no miolo do caso. Se isso não for tratado, o resto também não vai melhorar.
O comentário também fala da carreira de Eric, muito produtiva no começo e hoje despontando para o anonimato. Será que o fato da Julia Roberts, em início de carreira, ser conhecida como a irmã do Eric e, hoje, ele é o irmão da Julia, teve influência em sua decadência? Pode ser, mas isso não apareceu no programa, pelo menos até onde eu assisti, porque mesmo a minha tolerância para programas trash tem que ter os seus limites. Eu me concentro da frase do Dr Drew porque ela é um clichê no tratamento de dependentes químicos, tipo "Você é o médico que a droga transforma em um monstro". O dependente sabe que aquele babaca que destrói tudo sob efeito das drogas também faz parte de sua Psique. Não adianta criar estigmas. Essa ferida precisa ser tratada a integrada. Frases clichê não ajudam nesse processo.
Outros comentários são sobre o sonho de Jung, descrito em uma cena do filme de David Cronenberg, "Um Método Perigoso". Para quem se interessar, eu sugiro dar um pulo nesses posts, onde eu falo sobre o filme. No sonho de Jung, ele está numa viagem e tem um barqueiro triste, que alguém observa que não está lá, já morreu, mas não consegue morrer direito. Lú observou que o barqueiro pode ser uma alusão a uma figura da Mitologia Grega, Caronte, aquele que faz a travessia do rio que nos separa do Reino dos Mortos. Ótima lembrança. Freud achou que o barqueiro morto e vivo era uma referência aos sentimentos de Jung com relação a ele e à Psicanálise nascente. Jung ficou emputecido com a leitura, que achou parcial e reducionista. Não acho que estivesse errada, igualmente; o sonho também descrevia a situação de afastamento e crise que culminou com o rompimento com Freud. Mas a imagem de Caronte, o barqueiro, também é muito bonita. Os terapeutas e as terapias, tem a função de Caronte. Os pacientes são levados ao mundo das sombras, o Inconsciente, aonde tem algumas coisas mal enterradas ou que precisam ser reavivadas. O terapeuta cobra a passagem de ida e a de volta. O trajeto é longo e algumas vezes doloroso. Mas no final da travessia, podemos deixar de viver no limbo, como mortos-vivos.
De qualquer forma, meu estilo meio empolado às vezes inibe que as pessoas postem comentários, imaginando que eles pareçam bobos. Mas vocês devem notar que eles podem gerar novas reflexões, novos diálogos e ângulos que o post não tinha abordado. Obrigado pelos comentários, que vão gerar mais comentários.
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quarta-feira, 11 de abril de 2012
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