Estava preso no congestionamento de Quinta Feira (antes o trânsito era mais carregado no começo da semana, agora não, estamos com uma piora perto do final de semana) sobre as questões do Fazer e do Ter como determinantes do Ser em nossos tempos bicudos. Para o leitor que abriu esse texto e não o anterior, estamos ainda prosseguindo com a questão do ponto de encontro entre o psiquiatra e o cirurgião plástico. Quando as pessoas especulam a respeito de alguém, a questão levantada é sempre essa: Quem é? O que faz? E mais profundamente: o que ele Tem? A filosofia especula que estamos na era do simulacro, ou seja, é mais importante aparentar do que ser. Quando as pessoas, cada vez mais de ambos os sexos, vão procurar a ajuda de um cirurgião para modificar a própria imagem corporal, seja uma cirurgia estética ou reparadora, é claro que a aparência é uma questão importantíssima de nossa sociedade. É claro que o Ser é pautado pelo Ter: ter uma boa aparência, ter um carro bacana, ter a bolsa "poderosa". O ponto onde essa preocupação atinge o psiquiatra e o cirurgião de forma concomitante é no Ideal do Eu, ou ideal do Ego.O Ideal do Eu é a projeção de nosso falso Self (também abordado em postagem anterior). Para recebermos atenção,admiração, em suma, para sermos alguém, precisamos da aparência ideal, da carreira ideal, do parceiro ideal. Quanta gente derrama-se em frustração nos divãs por verem as suas vidas reais bem longe do ideal projetado para seu Ego. Vamos falar nas próximas postagens de como o senso de Ser de uma pessoa é afetado por esses padrões, bombardeados pelas mídias, as imagens alucinatórias de magreza, beleza e simetria, gerando uma horda de fiéis que não hesitam em sacrificar a própria saúde e bem estar para estar entre os bacanas, os populares, os eleitos. Os vários procedimentos vão trazer complicações ansiosas ou sintomas de Transtorno Dismórfico Corporal na exata proporção da base de Ser do paciente ser mais ou menos lesada.
Estudos sobre ansiedade e cuidados maternos mostram que, ninhadas de ratos que são separadas de cuidados e atenção logo ao nascimento mostram, quando chegam na idade adulta, maior índice de ansiedade, maior produção e liberação de Cortisol, um hormônio relacionado à resposta ao estresse do que os ratinhos que foram bem cuidados e manuseados pelas mães. Esses estudos confirmam o que a Psicologia repete há um século, que o senso de Ser e consequentemente, a capacidade de Fazer e de Ter\Adquirir está em relação direta com a Atenção que recebemos desde a infãncia e o senso do que se É. Parece estranho, mas tanto o psiquiatra como o cirurgião plástico vão ser mais ou menos bem sucedidos no lidar com os pacientes que receberem do profissional a sensação de que Ser alguém, não um número de ficha. Você existe e é importante. O procedimento vai ser acompanhado de atenção plena, e isso vai fazer muita diferença na evolução e no trabalho que os profissionais vão ter no Pós operatório da cirurgia e na aceitação dos resultados. É nesse ponto que as duas especialidades remam na mesma direção e se potencializam.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
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