Estava zapeando como sempre os programas da TV por assinatura, quando me deparei com um programa chamado “Decifrando Milagres”. Adoro dar uma olhada nesse tipo de programa, além dos documentários sobre avistamento de discos voadores ou mistérios das pirâmides. No programa, havia uma completa mistura de alhos com bugalhos, pois mostrava uma médium curadora argentina, Giras da Esquerda de Candomblé, em São Paulo e uma imagem de menino Jesus que é objeto de culto no México. Não sei se o objetivo era mostrar os exóticos latinos e suas crendices, mas acabei parando a zapeagem e vendo o programa. A parte que me encantou foi sobre a mística argentina, Martha Rosenberg. Essa senhora loira e um pouco emperuada, disse ter recebido a visita de Jesus, que lhe avisou que, a partir daquele momento, ela teria o Dom da Cura. Apareceram no dorso de suas mãos e pés os Stigmata, as feridas de Jesus após a sua crucificação. Acho que foi a maneira de Jesus demonstrar que não estava brincando. Uma imagem de Jesus que trouxe para a sua parede começou a verter sangue. Ela pensou que o visitante estava de brincadeira, pois além de não acreditar em nada daquilo, ela é judia, como é que falaria em nome de Jesus? Mas o visitante não pareceu se impressionar com aquilo. O documentário mostra as sessões com Martha num bairro simples de Buenos Aires. Há uma consagração e oração, depois filas de pessoas que a abraçam longamente e trocam palavras amorosas. Algumas relatam as curas e as mudanças de evolução de suas doenças com a médium argentina, que os espíritas classificariam como médium ouvinte, pois recebe as instruções de seus guias através de vozes assoprando em seu ouvido.
Ela passou a comer e beber muito pouco, dormir menos ainda, desde que passou a ser instrumento desse dom. E o sangue sai caprichosamente de seus estigmas de quando em quando. É lógico que a equipe do programa foi entrevistar o seu psiquiatra, para saber que papo é esse de vozes assoprando coisas. A própria Martha foi procurá-lo para saber se aquilo tudo não era um surto esquizofrênico e se não estava precisando, mesmo, era de uma internação. O médico ficou gaguejando diante das câmeras para afirmar que a senhora não era Esquizofrênica e que as suas vivências místicas não estavam no escopo da Ciência. Pelo menos isso. Outros colegas diriam que ela é uma Bipolar, em Hipomania, com um quadro delirante místico e de grandeza. Um médico de Pronto Socorro colheu exames de suas feridas para constatar que aquilo era sangue mesmo (não me diga) e levantar a hipótese que as mesmas eram feitas pela senhora. O que dá para ver com as imagens é que as feridas são redondas, de bordas delimitadas e profundas, às vezes em carne viva, outras vezes porejando sangue. Para aquilo ser uma fraude ela precisaria de um uma equipe de fraudadores e de uma deficiência de coagulação, o que não é impossível, mas estranho. Ninguém conseguiria entender aqueles fenômenos sem colocar em Martha a pecha de farsante ou maluca. O que as pessoas que recebem seu abraço descrevem é uma incrível energia amorosa que se desprende dela, gerando algumas curas. Martha continua afim de se livrar da tarefa e do fardo, mas continua, como aquelas coisas que continuamos a fazer a despeito de seu desconforto, só porque sabemos necessárias.
Felizmente eu não fui entrevistado e infelizmente, não sou o psiquiatra de Martha (acho que essa gripe que me afeta há cinco dias já estaria bem melhor nesse caso). Os místicos cristãos dividem em três tipos o Amor que podemos sentir: Eros, o mais popular, Ágape e Cáritas. Sobre Eros já falei bastante nesse blog. Ágape e Cáritas é que são elas. Ágape é um amor que ultrapassa o prazer de Eros. É o amor incondicional de um pai por seu filho, o amor de alguém que esquece de si em função da entrega para o outro. Uma tipo de Amor muito raro em nossa geração autoestima. Mais raro é o Amor que flui dos abraços de Martha ou das palavras das pessoas que estabelecem o contato com essa frequência, que chamamos de místicos, ou de mistificadores. Cáritas é a energia amorosa absoluta, que tira o sono e a fome de Martha. Se isso é uma doença psiquiátrica, eu bem que gostaria de tê-la. Desde São Paulo no caminho de Damasco que ouvimos histórias de pessoas comuns que tem o encontro de nosso Ego comum com a Grande Personalidade, ou outro centro de consciência, que vai passar a emanar essa energia amorosa. Isso é loucura? Loucura é viver só às custas de nossa Mente Racional, achando que ela basta para entender a vida.
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domingo, 18 de agosto de 2013
domingo, 25 de março de 2012
Oração Intercessora
Ontem passei o dia em um Simpósio de Neurociência. As primeiras apresentações foram bem legais e interessantes, mas durante grande parte do dia não houve muita novidade. Como muita coisa nessa vida, a Ciência também se baseia na repetição de conceitos e dados. A Ciência, religião fundamentalista à qual sou filiado, se pretende regida pela Objetividade e Imparcialidade absolutas. É lógico que nem uma nem outra existem. A Ciência é sempre um mix de fatos, crenças e modas, muito mais do que os cientistas gostariam de admitir.
Nesse post eu estou dando sequência a uma discussão do último: os fenômenos não locais, como, por exemplo, os efeitos da Oração Intercessora. Não são poucos os estudos, com metodologia idêntica à dos estudos com medicamento de nosso Simpósio, que demonstram a ação da oração à distância. Eu li um estudo em que um grupo de pessoas se reunia para orar por mulheres submetidas a um tratamento para infertilidade. Esse era um ótimo parâmetro: um tratamento para infertilidade pode ter dois resultados: sucesso ou fracasso. As mulheres foram separadas em dois grupos, um dos grupos recebeu a Oração Intercessora do grupo separado por milhares de quilômetros da Clínica de Fertilização. A porcentagem de sucesso foi significativamente maior no grupo de pacientes que receberam a Oração Intercessora. Há centenas, talvez milhares de estudos quantificando esses efeitos, pois, para a nossa Ciência, se não puder ser medido, não existe. O que as pessoas não sabem é que há outra quantidade robusta de estudos que demonstram exatamente o contrário, isso é, as pessoas orarem à distância não provoca nenhuma mudança significativa de parâmetros clínicos. A oração na chega e volta ao Remetente, pode-se assim dizer.
Há um físico do século passado, laureado com o prêmio Nobel, Heisenberg, que descreveu o Princípio de Indeterminação com o seu nome. Esse Princípio determina que não há nenhum fenômeno observado que não sofra a influência do Observador. Isso quer dizer que, se você faz um experimento visando provar a eficácia da Oração à Distância, há uma chance maior de ter dados dando suporte à sua hipótese e o mesmo vale para os descrentes. Apesar do desânimo que isso possa gerar e do diálogo de surdos entre cientistas materialistas e os que medem os efeitos não locais, ou seja, os que acreditam em efeitos da Psique sobre a Matéria, os resultados demonstram a força das crenças para gerar resultados. Esse não é justamente um dos efeitos da Fé? Eu, de minha parte, sempre achei que a Fé seja uma prática, não um a priori. Se o leitor ou a leitora praticar a Oração Intercessora, vai ver alguns resultados cada vez mais estranhos. Mas nossa consciência, dominada pela Ciência dos fenômenos locais, tem muito medo de cair no ridículo. Enquanto isso, eu sempre peço para a dona Neide, paciente das mais antigas e boa de Terço para não esquecer de mim em suas orações.
Nesse post eu estou dando sequência a uma discussão do último: os fenômenos não locais, como, por exemplo, os efeitos da Oração Intercessora. Não são poucos os estudos, com metodologia idêntica à dos estudos com medicamento de nosso Simpósio, que demonstram a ação da oração à distância. Eu li um estudo em que um grupo de pessoas se reunia para orar por mulheres submetidas a um tratamento para infertilidade. Esse era um ótimo parâmetro: um tratamento para infertilidade pode ter dois resultados: sucesso ou fracasso. As mulheres foram separadas em dois grupos, um dos grupos recebeu a Oração Intercessora do grupo separado por milhares de quilômetros da Clínica de Fertilização. A porcentagem de sucesso foi significativamente maior no grupo de pacientes que receberam a Oração Intercessora. Há centenas, talvez milhares de estudos quantificando esses efeitos, pois, para a nossa Ciência, se não puder ser medido, não existe. O que as pessoas não sabem é que há outra quantidade robusta de estudos que demonstram exatamente o contrário, isso é, as pessoas orarem à distância não provoca nenhuma mudança significativa de parâmetros clínicos. A oração na chega e volta ao Remetente, pode-se assim dizer.
Há um físico do século passado, laureado com o prêmio Nobel, Heisenberg, que descreveu o Princípio de Indeterminação com o seu nome. Esse Princípio determina que não há nenhum fenômeno observado que não sofra a influência do Observador. Isso quer dizer que, se você faz um experimento visando provar a eficácia da Oração à Distância, há uma chance maior de ter dados dando suporte à sua hipótese e o mesmo vale para os descrentes. Apesar do desânimo que isso possa gerar e do diálogo de surdos entre cientistas materialistas e os que medem os efeitos não locais, ou seja, os que acreditam em efeitos da Psique sobre a Matéria, os resultados demonstram a força das crenças para gerar resultados. Esse não é justamente um dos efeitos da Fé? Eu, de minha parte, sempre achei que a Fé seja uma prática, não um a priori. Se o leitor ou a leitora praticar a Oração Intercessora, vai ver alguns resultados cada vez mais estranhos. Mas nossa consciência, dominada pela Ciência dos fenômenos locais, tem muito medo de cair no ridículo. Enquanto isso, eu sempre peço para a dona Neide, paciente das mais antigas e boa de Terço para não esquecer de mim em suas orações.
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