Outro dia recebi um torpedo sobre perda de receita e necessidade de deixar uma nova na portaria do prédio para a paciente pegar. Aproveitei para perguntar se ela estava melhor e a resposta foi desalentada e desalentadora: “Só nascendo de novo”. Tudo bem, o pessimismo é uma das características que impedem a sua melhora, mas a mensagem foi dura.
Não li a matéria da VEJA sobre Depressão, mas já ouvi que há uma ênfase na pesquisa sobre a Ketamina, um potente anestésico que vem produzindo estranhas melhoras de alguns casos de Depressão. Como no caso descrito acima, a Depressão se aprofunda e se mantém com os pensamentos ruminativos do paciente. O que são esses pensamentos circulares? São uma espécie de software mensal que parte da sensação de “coitadinho de mim”até a sensação pior de todas, que é a sensação de que “tudo é ruim” ou “nada faz sentido”, o que pode acarretar pensamentos e comportamentos suicidas. Há uma sofrida simbiose entre esses pensamentos circulares e a disfunção de neurotransmissão de nosso Cérebro Emocional para criar esses círculo de tristeza e desespero. A Ketamina, quando aplicada em anestesias ou em sessões terapêuticas, como que apaga esses circuitos de sofrimento. É como se fizesse um “reset” desses circuitos e a pessoa ficasse zerada desses pensamentos por alguns dias. É uma boa oportunidade para introduzir outros medicamentos e novos pensamentos, antes que os antigos sejam reativados. É claro que essa é uma visão pessoal, que pode se revelar errada, mas ela está baseada na mudança que ocorre sempre que alguma técnica, medicamentosa ou não, penetra nesses softwares profundos e tentam modificá-los. A PNL, Programação Neurolinguística se baseia nesse princípio, mas peca pela velha fantasia que a nossa Razão consegue domesticar o nosso Cérebro Emocional. O caminho para transformar e reprogramar essas estruturas e circuitos neurais é longo e delicado, muitas vezes longo. Mas não deixa de ser tentador pesquisar mais a fundo técnicas para produzirmos um “esquecimento de si” e um reinício. Como um renascimento.
Há um psiquiatra que eu prezo e já citei nesse blog que afirma, corajosamente, que o que machuca não é a Ferida que a vida nos provoca, mas, antes disso, a Defesa é que machuca.
A verdadeira coragem talvez seja a coragem de deixar as defesas morrerem e renascer. Diz um outro sábio, Fritz Pearls: “Consentir com a própria morte e renascer, não é fácil”. Ele disse isso nos anos setenta, e parece que foi ontem.
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sábado, 1 de dezembro de 2012
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