Kevin Costner, em filme dos anos noventa onde fazia o personagem título: Wyatt Earp, uma figura lendária do Velho Oeste, dizia a se referir a outro xerife, que ele julgava um tanto frouxo: "Ele é afável", o que queria dizer que não era duro o suficiente para civilizar Trombstone, cidade assolada por bandidos. O tal xerife acaba morrendo com um tiro de um bêbado que tentava desarmar na base do papo. De fato, os caras chamam Wyatt para botar ordem no barraco quando o seu colega afável é assassinado. Ricardo Gomes me lembra esse xerife. Não estamos mais em Trombstone, então não será necessária troca de tiros, mas o hesitante técnico do São Paulo parece aqueles tios gente boa que todo mundo gosta e sabe que pode aprontar com ele que tudo bem.Por que tudo parece errado no São Paulo?
Como colocamos nos outros blogs, podemos dividir a formação de um time em fases de Estofo, Energia, Energizar. Muricy, antecessor de Ricardo Gomes, é um especialista em Estofo. Obcecado pela marcação, Muricy montou verdadeiras muralhas que só faziam ganhar de um a zero. Todos os detalhes repetidos, tudo ensaiado e os insuportáveis chuveirinhos procurando um centroavante fortão e meio burro. A segunda fase, da Energia, tem a ver com a capacidade de um time flutuar pelo campo e multiplicar a ocupação de espaços. São times arrumados, precisos, que sabem exatamente o que e quando fazer nas diversas sutuações de jogo. É o que os comentaristas chamam de padrão de jogo, uma espécie de identidade de um time, de marca registrada. O time joga com muito menos cansaço, ocupando espaços e fazendo as jogadas com fluidez. O Manchester United de Alex Ferguson se encaixa nesse tipo de time onde tudo parece estar em seu lugar, o tempo todo. O terceiro movimento de um time, que é o Energizar, bem, esses já são bem raros. O Santos de Dorival Jr está nesse momento, o Barcelona também. O time se multiplica em campo, como se tivesse dois jogadores a mais que o adversário. O posicionamento é bem determinado, mas as jogadas tem uma fluida rapidez que possibilita a esses jogadores exepcionais, como Messi e Neymar sempre fazerem o inesperado, quebrando a espinha dorsal de um defesa. Vou falar disso em outros blogs. Washington, cansado de ser o Judas de plantão do tricolor, botou o dedo na ferida. O time perdeu o que tinha de bom, que era o estofo e a sua organização obsessiva, com uma capacidade defensiva impressionante e a melhor zaga do Brasil, para ser um time xoxo, lento, sem padrão de jogo e sem lampejos. Ricardo Gomes, aparentemente pessoa querida e profundo conhecedor de futebol, nunca ganhou nada e sempre cacacterizou sua trajetória em times médios. Quando o São Paulo perder a Libertadores, ele deve voltar aos Monacos da vida. E todos vão se lembrar que ele era um cara afável e gente boa, desses que as sogras querem para as suas filhas.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
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