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domingo, 2 de dezembro de 2012

Vivências de Pico

Um leitor desse blog e amigo, Fábio, me perguntou por e-mail o que eu achava das EQMs, as Experiências de Quase Morte, um campo de controvérsia entre os Céticos e os Metafísicos de praxe. Eu pedi para tomar uma Kaiser antes. Vou acabar com a pouca credibilidade que me resta. Mas vamos lá.
O psiquiatra suíço Carl Jung, já idoso e sempre metido a atleta, teve, já idoso, um acidente na neve, o que causou-lhe uma fratura. Na época, ele ficou completamente imobilizado no leito, o que, sabemos hoje, é praticamente uma sentença de morte do idoso se não forem tomadas algumas medidas de prevenção, que não eram disponíveis nos anos cinquenta do século passado. Jung acabou tendo um Tromboembolismo Pulmonar, evento ainda hoje de extrema gravidade quando ocorre. Durante esse evento, ele teve uma experiência psíquica bastante descrita por pessoas que passaram pela Experiência de Quase Morte: Jung viu seu corpo de fora e de cima. Gradativamente foi se afastando, afastando até subir nas nuvens e sair na estratosfera, vendo a Terra de longe. Lá ele encontrou com Emma Jung, sua esposa recentemente falecida. Finalmente, ele se viu perto de entrar numa espécie de templo, onde ele finalmente saberia quem ele era, qual a sua substância espiritual. Antes de entrar, entretanto, encontrou com seu médico, que estava vestido como um sacerdote de Cós, terra do pai da Medicina, Hipócrates. O seu médico deu-lhe a má notícia que sua hora não havia chegado e que ele teria que voltar para casa. Jung descreveu em seu livro - ”Memórias, Sonhos, Reflexões” este episódio. Voltar para dentro de seu corpo foi como voltar para uma caixinha de fósforos, relatou. Quando acordou, soube que havia passado por uma Parada Cardio Respiratória e tinha sido reanimado. Ele surpreendeu a todos quando pediu para falar com seu médico, imediatamente. O fato de tê-lo visto naquela outra dimensão significava algo. O médico não lhe deu ouvidos e teve um infarto pouco tempo depois, morrendo instantaneamente.
Os cientistas reduzem esses episódios e vivências como sonhos vívidos, sonhos que acontecem quando estamos em estado intermediário entre o sono e a vigília. O bem estar e os sentimentos de beatitude e iluminação são atribuídos a uma bomba de Endorfinas despejadas no Cérebro quando estamos perto da morte ou em risco de vida. Tudo não passaria de alucinações ou ilusões provocadas pelo estado de sofrimento das células, como um último alento antes de sucumbir. Um evento biológico, portanto.
Muitas pessoas descrevem com precisão os eventos e o que se conversa no momento da reanimação como se estivessem descrevendo os mesmos em terceira pessoa. O próprio Jung descreveu exatamente a posição de seu corpo e os esforços das pessoas em reanimá-lo. A experiência lembra também algumas algumas vivências de Pico, estados de iluminação e beatitude que místicos, meditadores e pessoas comuns descrevem como experiências espirituais de ampliação de consciência e intensa beleza, quando o Ego perde seus limites e se funde com o mundo. Ou com Deus. Não há mais limites, nem medos, nem preocupações, só a sensação de expansão e gozo. Os céticos diriam que uma boa viagem de ácido ou um gole de Ayhuasca, num ritual do Santo Daime, podem provocar todas essas sensações.
E o que o autor dessas mal tecladas acha do assunto? Recentemente escrevi sobre o Quinto Cérebro, que na verdade não é o Cérebro, mas a Mente Não Local. Sonhos premonitórios, sensações compartilhadas por pessoas separadas por quilômetros, como uma Mente que não respeita a localidade e viaja com uma velocidade maior do que a luz. Experiências fora do corpo e várias experiências não locais pertencem a essa dimensão psíquica.
Muitas pessoas que passam pelas EQMs voltam da vivência diferentes, com uma visão mais serena e mais espiritualizada da vida. Sentem que não precisam mais temer a morte, nem a vida. É uma experiência que demonstra o quanto o ponto de vista do Ego, com seu medos e mesquinharias, é extremamente limitado. Eu acredito nisso. Pouco me importa se isso for uma overdose de Endorfinas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Faça um Pedido ao Silêncio

Para quem acompanha esse blog, mencionei a existência de Cinco Cérebros há uns três posts. O termo é apenas para fins didáticos. O Quinto Cérebro está mesmo em nossas redes Neurais? Boa pergunta. O materialismo científico considera a Mente um produto de nosso Cérebro. Percepção, Processamento de Informação, produção de Pensamentos e interpretação do mundo, tudo isso deriva de nosso substrato neural.
Estou digitando isso enquanto na Tv a Cabo está passando um documentário sobre a ascensão de Adolf Hitler ao poder a partir dos escombros da derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. Um estudante medíocre, um pintor que passava fome pelas ruas de Viena, um militante obscuro dos partidos de ultradireita alemã, toda a trajetória de Adolf Hitler sugeria um percurso de fracasso e obscuridade. Quando ele se juntou a um grupo radical Nacional Socialista, cultivando o ódio aos opressores que haviam vencido a guerra. A crise econômica era dramática, os bancos eram geridos por ricos donos do dinheiro, de origem judaica, que exorbitavam os juros em tempos de hiperinflação. Esse homem medíocre, sem particular capacidade intelectual e cultural aprendeu a “sintonizar” com algo que estava fora de sua Mente e também fora da Mente dos alemãs. Hitler encarnou um arquétipo messiânico. Ele aglutinaria um povo humilhado, faminto e canalizou todo o ódio e toda derrota contra o povo judeu, com os resultados que já conhecemos. Hitler foi um homem medíocre e odioso que sintonizou com uma Mente que estava fora dele. Os junguianos chamam essa Mente de Inconsciente Coletivo. Um substrato que está circulando dentro das cabeças de todos e de nenhuma pessoa, ao mesmo tempo. Hitler relatou que é como se ele soubesse, antes de falar, o que iria dizer e as pessoas queriam ouvir.
O Quinto Cérebro na verdade não está dentro do Cérebro. É a mente que, em momentos de crise, acaba se manifestando como um ser vivo, uma pessoa que acaba sintonizando com a voz do Inconsciente Coletivo, sendo uma parte de algo muito maior do que uma vida comum.
Para usar um exemplo menos desagradável, posso voltar a Michael Jordan. Michael passou um tempo longe das quadras de basquete, meio enfadado de já ter conquistado tudo que um atleta poderia conquistar em um esporte de alto nível. Foi jogar beisebol por duas temporadas, sem bons resultados, pois seu Quarto Cérebro precisaria de algumas décadas de prática para chegar ao mesmo nível que tinha nas quadras. Jordan voltou ao Chicago Bulls jogando muito bem, mas sem o nível de antes de sua curta aposentadoria. Demorou um tempo para ele voltar à espiral de aprendizado e excelência que apresentara antes da interrupção. Quando ele marcou pela primeira vez uma pontuação excepcional, afirmou que “o jogo estava fluindo” através dele como antes. Para ele, era como se ele não jogasse, mas “fosse jogado”.
Esse é o Cérebro não local. Pode ser chamado de Espírito Santo, Atman, Prana ou Supraconsciência. Tem muito mais nomes para acrescentarmos. É uma Mente fora de nossa mente, que pensa em nossos pensamentos e inspira alguns de nossos atos. Esse quase Cérebro é o substrato silencioso e invisível que a Ciência afirma ser fruto de nossas inseguranças e medos. Para a ciência, essa ordem intrínseca nem chega a existir.