O Livro de Jó, uma belíssima peça do Velho Testamento, é muito caro aos junguianos. Jung escreveu um de seus livros mais pessoais, chamado “Resposta a Jó”, do ponto de vista de quem sofreu, na carne e na alma, o embate entre a santidade e o pecado que é a nossa vida psíquica. Jó sofre as mais terríveis perdas e provações, a partir da provocação de Deus pelo Diabo, que duvida da sinceridade da fé desse homem em tudo fiel a seu caminho. Jó é torturado pela dor física e por falsos curadores, que buscam em alguma falha sua a origem de toda sua desgraça. Ele reage com ferocidade, o que me coloca em dúvida a expressão “paciência de Jó”. Jó não tem paciência nenhuma com a burrice da visão dos sacerdotes que entendem a sua doença como fruto de pecado, já que Deus não pode ser questionado. Jó prossegue em sua busca até ter a visão da Perfeição, o que torna quase irrelevante o sofrimento que vivenciou.
Fui uma vez à uma cerimônia numa Sinagoga, e ouvi o rabino afirmar que se fossemos retos na ação e fiéis a Deus, Ele em tudo nos protegeria e recompensaria. Jó entende na sua carne o erro da afirmação. Coisas ruins acontecem para pessoas boas, a mentira traz resultados mais rápidos que a verdade, a mesma chuva cai sobre o bom e o injusto. Não existe um sistema claro de recompensa. O que Jung responde a Jó é que não é nem um pouco fácil ser escolhido ou amado por Deus, e que o caminho é cheio de tensões e dores. E a dor pior de suportar é o incrível silêncio no meio dos barulhos e da algazarra dos “Faça Isso, Faça Aquilo” que infestam nossos olhos e ouvidos.
Uma vez li a entrevista de um jogador de futebol, Valdo, que jogou na seleção brasileira no final dos anos 80. Valdo estava em final de carreira no Santos e fora perguntado sobre a sua calma profunda. Ele deu um testemunho que daria inveja a Jó. Depois de uma breve doença, Valdo teve a pior perda que um ser humano pode experimentar, que foi a morte de sua filha. Apesar de todos os esforços dos médicos e todo o dinheiro que uma carreira de sucesso tinha proporcionado, a sua pequena foi embora como que levada por um vento ruim. Depois de muito tempo de dor e de dúvida, já que ele acreditava e temia a Deus, uma estranha serenidade tomou conta de sua vida. Tudo o que poderia acontecer de ruim aconteceu, e ele descobriu que não tinha mais medo. Aprendeu a diferenciar o que importa do que não importa na vida, e não se incomodava diante das pequenas coisas que nos perturbam todo dia. Talvez por isso fosse tão querido e procurado pelos jogadores mais jovens.
É lógico que o sofrimento pode tornar as pessoas mais medrosas e mais mesquinhas. Muitas delas batem no peito e transformam o próprio sofrimento em seu maior patrimônio e sua maior identidade. Mas outras pessoas tem a experiência paradoxal desse rapaz, em que o sofrimento leva a uma profunda interiorização e, mais do que isso, ao estabelecimento de uma relação intensa com esse mundo interno. As pessoas que encontram esse ponto de ancoragem no que chamamos de Alma e os junguianos chamam de Psique são mais tranquilas e quase que infestam o ambiente com sua calma. Era isso que o reporter notou naquele rapaz que vestia a camisa 11 de seu time.
Nossa civilização “O Segredo” procura todo dia pela criação de uma vida incrível, uma casa dos sonhos, um carro conversível, um relacionamento romântico. Felicidade é atribuída à capacidade de aquisição e consumo. Muita gente morre e destrói buscando essa felicidade. Quem sai da corrida nesse circuito oval encontra uma experiência mais consistente da riqueza interior. Como no caso de Jó, que deve ter sido o primeiro junguiano, a jornada dos escolhidos, que somos todos, é longa, dolorosa e sem grandes recompensas exteriores. Mas, no fundo da experiência, está a riqueza que aquele sacerdote prometia.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016
sábado, 14 de julho de 2012
A Balada de Bruno
Acabei de voltar da missa de 7º dia de Leonor, mãe de Bruno, amigo de meu filho e daqui da casa. Esse texto é dedicado a ele.
Quando eu conheci o Bruno, ele tinha uns 11 anos e veio puxar papo comigo depois de uma festa de aniversário do André, meu filho mais velho e na época seu colega de escola. O menino falava sobre Classic Rock e passeamos por Beatles e Deep Purple. Eu olhei para aquele moleque e pensei que a cegonha tinha errado de endereço. Um moleque pré adolescente, precocemente intelectualizado e lendo mais do que devia, me lembrou bem um outro moleque parecido, que acabou virando psiquiatra junguiano.
Encontrei com o Bruno algumas vezes, joguei bola com ele e acompanhei o seu crescimento meio de longe. Deixei-o embaraçado numa apresentação na escola, quando havia alguns Hai Kais que ele compôs e que a professora pendurou no caminho de quem entrava. Disse para ele que havia captado como ninguém o espírito dessa poesia oriental curta e contemplativa. Fiz essa observação a seu pai, que não sabia o que é Hai Kai. Vou levar o moleque lá para casa, dá licença. Mas o pai transbordava de orgulho ao falar daquele filho misterioso, eu decidi não “confiscá-lo”. Há dois anos que o bom e bonachão Cruz, pai do Bruno, teve uma infecção intestinal, que evoluiu de forma esquisitíssima em Septicemia e morreu. Porrada. Ficamos do lado do moleque como deu, ele absorveu o golpe, teve um profundo apoio do pessoal do Colégio Sidarta, de onde meus filhos já tinham saído. A vida continuou. Há uma semana, voltando do feriado, Leonor teve um mal súbito, o carro capotou numa ribanceira. Bruno saiu do carro intacto e órfão de pai e mãe aos 17 anos. O pastor no velório e o padre hoje gaguejaram um pouco diante da tragédia. Reafirmaram a crença no Mistério e na Ressurreição, embora engasgando no que sempre engasgamos, que é no Absurdo. Pais amorosos e que casaram e tiveram esse menino em idade um pouco mais adiantada que a média. Um menino precioso e precocemente centrado. Dois incidentes fortuitos, gratuitos, inexplicáveis. Como falar em Sentido?
O meu filho que anda meio rebelde com a idéia de Deus, está agora francamente emputecido com Ele, o que pode ser até um bom despertar para a idéia e o assunto. A idéia de alguma ordem no meio do Absurdo e do gratuito da morte, bem, isso não é fácil de digerir.Lembrei de um livro de Jung durante a missa. O livro é “Resposta a Jó”. Jung ficou doente, teve uma febre de origem desconhecida e, de repente, teve medo de morrer. Sentou-se e começou a escrever esse livro e só levantou quando o tinha terminado. A febre passou no ponto final. Nesse livro Jung dialoga com o personagem bíblico, atropelado por tragédias e perdas inexplicáveis. Jó também fica emputecido com o Altíssimo e busca, no meio do Absurdo, o Sentido de todo o seu sofrimento. O que aquilo significava? Por que os bons morrem, os maus são recompensados, as famílias são desfeitas, os tijolos de nossa vida demolidos com uma marretada do destino? A esposa de Jó sugere que ele blasfeme e morra. Uma sugestão meio clara de um suicídio, que é uma questão quando estamos perdidos no Absurdo. Jó perguntou se ela estava louca. Morrer não era a questão, mas ultrapassar a Morte, buscar o Sentido profundo da perda, da doença, da dor. No final do livro, Jó consegue contemplar o Ser Divino e provavelmente percebeu como as nossas lágrimas são pequenas diante do oceano da vida e do Ser. A vida tem uma harmonia muito profunda em seus micro movimentos e deve ter sido isso que Jó contemplou. Mas Jung não tinha uma visão assim tão otimista do assunto. O que ele respondeu a Jó é que não é nem um pouco fácil ser um filho bem amado de Deus. Se a vida quer tirar tudo, tira de forma seca, impessoal, implacável. Jung acrescentou ao Deus de suprema bondade esse aspecto devastador da vida que eu vi na face desse menino com as espinhas de sua adolescência. A perda geralmente dá lugar a saltos de consciência e aumenta a nossa resiliência diante das pancadas de nosso Caminho. Mas Jung sugere a Jó que não é nenhuma benção ser o Escolhido. E que a vida quer que a Consciência se expanda, com ou sem lágrimas.
Acredito, como o filósofo contemporâneo Adoniran Barbosa, que Deus dá o frio conforme o cobertor. Espero fazer parte do cobertor humano que se formou em torno de Bruno.
Quando eu conheci o Bruno, ele tinha uns 11 anos e veio puxar papo comigo depois de uma festa de aniversário do André, meu filho mais velho e na época seu colega de escola. O menino falava sobre Classic Rock e passeamos por Beatles e Deep Purple. Eu olhei para aquele moleque e pensei que a cegonha tinha errado de endereço. Um moleque pré adolescente, precocemente intelectualizado e lendo mais do que devia, me lembrou bem um outro moleque parecido, que acabou virando psiquiatra junguiano.
Encontrei com o Bruno algumas vezes, joguei bola com ele e acompanhei o seu crescimento meio de longe. Deixei-o embaraçado numa apresentação na escola, quando havia alguns Hai Kais que ele compôs e que a professora pendurou no caminho de quem entrava. Disse para ele que havia captado como ninguém o espírito dessa poesia oriental curta e contemplativa. Fiz essa observação a seu pai, que não sabia o que é Hai Kai. Vou levar o moleque lá para casa, dá licença. Mas o pai transbordava de orgulho ao falar daquele filho misterioso, eu decidi não “confiscá-lo”. Há dois anos que o bom e bonachão Cruz, pai do Bruno, teve uma infecção intestinal, que evoluiu de forma esquisitíssima em Septicemia e morreu. Porrada. Ficamos do lado do moleque como deu, ele absorveu o golpe, teve um profundo apoio do pessoal do Colégio Sidarta, de onde meus filhos já tinham saído. A vida continuou. Há uma semana, voltando do feriado, Leonor teve um mal súbito, o carro capotou numa ribanceira. Bruno saiu do carro intacto e órfão de pai e mãe aos 17 anos. O pastor no velório e o padre hoje gaguejaram um pouco diante da tragédia. Reafirmaram a crença no Mistério e na Ressurreição, embora engasgando no que sempre engasgamos, que é no Absurdo. Pais amorosos e que casaram e tiveram esse menino em idade um pouco mais adiantada que a média. Um menino precioso e precocemente centrado. Dois incidentes fortuitos, gratuitos, inexplicáveis. Como falar em Sentido?
O meu filho que anda meio rebelde com a idéia de Deus, está agora francamente emputecido com Ele, o que pode ser até um bom despertar para a idéia e o assunto. A idéia de alguma ordem no meio do Absurdo e do gratuito da morte, bem, isso não é fácil de digerir.Lembrei de um livro de Jung durante a missa. O livro é “Resposta a Jó”. Jung ficou doente, teve uma febre de origem desconhecida e, de repente, teve medo de morrer. Sentou-se e começou a escrever esse livro e só levantou quando o tinha terminado. A febre passou no ponto final. Nesse livro Jung dialoga com o personagem bíblico, atropelado por tragédias e perdas inexplicáveis. Jó também fica emputecido com o Altíssimo e busca, no meio do Absurdo, o Sentido de todo o seu sofrimento. O que aquilo significava? Por que os bons morrem, os maus são recompensados, as famílias são desfeitas, os tijolos de nossa vida demolidos com uma marretada do destino? A esposa de Jó sugere que ele blasfeme e morra. Uma sugestão meio clara de um suicídio, que é uma questão quando estamos perdidos no Absurdo. Jó perguntou se ela estava louca. Morrer não era a questão, mas ultrapassar a Morte, buscar o Sentido profundo da perda, da doença, da dor. No final do livro, Jó consegue contemplar o Ser Divino e provavelmente percebeu como as nossas lágrimas são pequenas diante do oceano da vida e do Ser. A vida tem uma harmonia muito profunda em seus micro movimentos e deve ter sido isso que Jó contemplou. Mas Jung não tinha uma visão assim tão otimista do assunto. O que ele respondeu a Jó é que não é nem um pouco fácil ser um filho bem amado de Deus. Se a vida quer tirar tudo, tira de forma seca, impessoal, implacável. Jung acrescentou ao Deus de suprema bondade esse aspecto devastador da vida que eu vi na face desse menino com as espinhas de sua adolescência. A perda geralmente dá lugar a saltos de consciência e aumenta a nossa resiliência diante das pancadas de nosso Caminho. Mas Jung sugere a Jó que não é nenhuma benção ser o Escolhido. E que a vida quer que a Consciência se expanda, com ou sem lágrimas.
Acredito, como o filósofo contemporâneo Adoniran Barbosa, que Deus dá o frio conforme o cobertor. Espero fazer parte do cobertor humano que se formou em torno de Bruno.
sábado, 12 de maio de 2012
Andar com Fé Eu Vou
Há uma pequena história, ou lenda sobre São Francisco de Assis, quando alguém lhe pediu para falar sobre Deus: Francesco, em pleno inverno, voltou-se a uma árvore e falou: "Irmão pessegueiro,fale-me sobre Deus". E o pessegueiro abriu-se em floração, em pleno inverno. Gosto muito dessa história, porque mostra muita coisa sobre o que chamamos de Deus. Deus é uma ordem e um efeito. Mas, antes de tudo, é um Princípio que origina e sustenta a vida.
Já falei sobre isso em outros posts, mas volto a dizer: podemos dividir o mundo em quem acredita que há essa Ordem Implícita e quem acredita só na probabilidade, ou na vida se fazendo e desfazendo às cegas e com leis probabilísticas.
No congresso que já mencionei nos posts anteriores, alguns palestrantes disseram que a própria concepção de Divindidade foi cunhada para dar a essa Desordem a idéia de um Deus protetor, que pune os maus e recompensa os bons. Para eles, a concepção de Deus seria uma Defesa obsessiva contra a Incerteza.
Jung escreveu um livro terrível sobre esse tema, o "Resposta a Jó". Jó, para quem não sabe, é um personagem bíblico que venera esse Deus Protetor, que é justo e fiel aos justos e aos bons. O Diabo se aproxima de Deus e faz uma espécie de aposta, de que o amor de Jó só existe porque ele é rico e vive uma vida confortável. Deus topa a aposta e o Maligno retira de Jó toda a sua fortuna e seus filhos. Jó continua fiel a Deus. O Diabo aumenta a sua aposta: deixa a pele de Jó cheia de feridas e escaras. Finalmente, Jó se emputece e amaldiçoa a sua própria vida e a absoluta falta de sentido, de compreensão humana sobre tudo aquilo. Eu não sei o motivo da expressão popular: "Paciência de Jó". Jó tem paciência apenas no início do seu livro. Depois, ele passa o tempo todo emputecido e confrontando os amigos que querem que ele se conforme. A resposta de Jung é terrível: o Deus de Jung não premia os bons e pune os maus; Ele não hesita em arrancar tudo de uma existência ou de uma vida para poder se manifestar. Quando eu vejo a atriz e apresentadora Cissa Guimarães fazendo um programa na GNT, acho que chama "Andar com Fé", eu me lembro da resposta de Jung a Jó. Ela passou pela pior perda que um ser humano pode passar, que é a morte de um filho. O programa é uma espécie de Resposta a Jó, na medida em que ela vai entrevistar várias pessoas e saber de sua experiência, de sua busca. A mais absoluta dor, como perder um filho, nos convida para uma encruzilhada com dois caminhos possíveis: ou desistir de tudo e morrer, ou transformar a dor em ação, em busca, em benefício. No Livro de Jó, a esposa do desafortunado homem chega a sugerir que ele se deixe morrer, rompendo com qualquer tipo de fé. Ele pergunta se ela está louca. Ele não tem nada para perder, agora ele quer ter a experiência direta da Divindade. Ao final do livro, Jó tem a percepção da Ordem Profunda da vida, que morre e renasce todo santo dia. Percebe que a sua dor é um pedaço ínfimo da maravilhosa orquestra da Vida. Tudo lhe é restituído depois disso.
Jung fala a Jó que o seu Deus não só não premia como arranca o couro de seu filhos mais amados. Que a Vida pode, sim, nos dar uma rasteira daquelas e vamos demorar muito para compreendê-la.
Os Carlinhos Cachoeira passeiam em seus jatinhos e os homens de Boa Vontade sofrem todo dia a construção do Bem. E, o mais difícil é enxergar o que é o Bem e o que é o Mal.
Já falei sobre isso em outros posts, mas volto a dizer: podemos dividir o mundo em quem acredita que há essa Ordem Implícita e quem acredita só na probabilidade, ou na vida se fazendo e desfazendo às cegas e com leis probabilísticas.
No congresso que já mencionei nos posts anteriores, alguns palestrantes disseram que a própria concepção de Divindidade foi cunhada para dar a essa Desordem a idéia de um Deus protetor, que pune os maus e recompensa os bons. Para eles, a concepção de Deus seria uma Defesa obsessiva contra a Incerteza.
Jung escreveu um livro terrível sobre esse tema, o "Resposta a Jó". Jó, para quem não sabe, é um personagem bíblico que venera esse Deus Protetor, que é justo e fiel aos justos e aos bons. O Diabo se aproxima de Deus e faz uma espécie de aposta, de que o amor de Jó só existe porque ele é rico e vive uma vida confortável. Deus topa a aposta e o Maligno retira de Jó toda a sua fortuna e seus filhos. Jó continua fiel a Deus. O Diabo aumenta a sua aposta: deixa a pele de Jó cheia de feridas e escaras. Finalmente, Jó se emputece e amaldiçoa a sua própria vida e a absoluta falta de sentido, de compreensão humana sobre tudo aquilo. Eu não sei o motivo da expressão popular: "Paciência de Jó". Jó tem paciência apenas no início do seu livro. Depois, ele passa o tempo todo emputecido e confrontando os amigos que querem que ele se conforme. A resposta de Jung é terrível: o Deus de Jung não premia os bons e pune os maus; Ele não hesita em arrancar tudo de uma existência ou de uma vida para poder se manifestar. Quando eu vejo a atriz e apresentadora Cissa Guimarães fazendo um programa na GNT, acho que chama "Andar com Fé", eu me lembro da resposta de Jung a Jó. Ela passou pela pior perda que um ser humano pode passar, que é a morte de um filho. O programa é uma espécie de Resposta a Jó, na medida em que ela vai entrevistar várias pessoas e saber de sua experiência, de sua busca. A mais absoluta dor, como perder um filho, nos convida para uma encruzilhada com dois caminhos possíveis: ou desistir de tudo e morrer, ou transformar a dor em ação, em busca, em benefício. No Livro de Jó, a esposa do desafortunado homem chega a sugerir que ele se deixe morrer, rompendo com qualquer tipo de fé. Ele pergunta se ela está louca. Ele não tem nada para perder, agora ele quer ter a experiência direta da Divindade. Ao final do livro, Jó tem a percepção da Ordem Profunda da vida, que morre e renasce todo santo dia. Percebe que a sua dor é um pedaço ínfimo da maravilhosa orquestra da Vida. Tudo lhe é restituído depois disso.
Jung fala a Jó que o seu Deus não só não premia como arranca o couro de seu filhos mais amados. Que a Vida pode, sim, nos dar uma rasteira daquelas e vamos demorar muito para compreendê-la.
Os Carlinhos Cachoeira passeiam em seus jatinhos e os homens de Boa Vontade sofrem todo dia a construção do Bem. E, o mais difícil é enxergar o que é o Bem e o que é o Mal.
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