Obrigado mais uma vez pelos comentários. Eles ajudam muito. Para os leitores do blog que quiserem assistir a palestras em que eu dou a impressão inicial de antipatia e arrogância, vamos refazer o evento do feriado no dia 21/05, das 9:30 às 12:00, com direito a cofee break saudável. Informações no (11) 3726 8478. O evento é gratuito e pedimos apenas um kg de ração para cachorros, pois apoiamos uma futura ONG que protege cachorros abandonados. Vamos falar da associação da Psiquiatria com Psicologia Analítica e Nutrição para melhores resultados terapêuticos. Essa associação parece muito óbvia, mas não é.
Já falei sobre ele, mas não custa repetir: esse trabalho é muito influenciado por um colega, o psiquiatra francês David Servant-Schreiber. Estou relendo um livro dele que é mais fácil de encontrar: "Anticâncer" (estou respondendo à leitora anônima que pediu indicação de livro). O título não é exatamente estimulante e parece dirigido a doentes ou profissionais que enfrentam as doenças oncológicas. Pode ter esse uso, mas é muito mais do que isso. É quase um autoexorcismo, além de uma reflexão profunda sobre a vida e a jornada de cura e transformação desencadeada por um grande baque, ou uma grande dor. Daniel teve um diagnóstico, por volta dos trinta anos, de um tumor cerebral agressivo. Quando ele deu a notícia ao seu pai o consolo que poderia oferecer é que estava na mão de bons profissionais e que provavelmente não sofreria muito se precisasse partir. Bem , felizmente ele não partiu e teve uma daquelas curas que a Medicina chama de Paradoxais. O seu oncologista quer usá-lo como exemplo de excelente resposta à Quimioterapia. Ele balança a cabeça e ri. A Medicina tecnicista que praticamos é hoje uma espécie de religião fundamentalista que só acredita em dados e estatísticas. Você pode até morrer, desde que os exames confirmem isso. Daniel não se restringiu ao que a Medicina tradicional, a que eu e ele praticamos, podia oferecer. Estudou as causas do aumento das doenças inflamatória (o Câncer inclusive) e as suas relações com estresse, alimentação, sono e energia vital. Aprendeu Meditação, Visualização, procurou profundamente por suas feridas e bloqueios psíquicos. E fez também a Rádio e a Quimioterapia.
Não posso dizer que o trabalho multiprofissional me seja estranho. Há vinte anos que procuro a interface do meu trabalho com outros tipos de conhecimento. A idéia me veio numa apostila que estudei lá no Instituto de Psiquiatria do HC - FMUSP, no final dos anos 80. O texto era de um psiquiatra que não estava mais lá, Dr Eunofre, e falava sobre as diferentes dimensões de um ser humano que precisamos conhecer.
O trabalho de Servant-Schreiber atualiza para mim a necessidade de um médico ampliar as suas visões para além do campo de ação muito determinado por laboratórios e speakers de interesses estranhos à área.
Vivemos hoje numa civilização inflamatória. Aceleramos todos, o tempo todo, mesmo que seja na direção do precipício. Não vamos mudar o mundo com uma palestra. Mas é um começo.
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
A Clínica Integrada
Na época da minha residêcia eu fazia parte de um saudoso grupo no Instituto de Psiquiatria do HC, o Grupo de Interconsultas. O nosso foco de estudo era o paciente internado em um Hospital Geral com um quadro psiquiátrico, prévio ou não à internação. O grupo era bem legal, mas o seu logotipo era um desenho de um corpo humano todo fragmentado, como um quebracabeças que não se junta. A idéia era que a gente iria colar aqueles pedaços, mas a imagem transmitia exatamente a impressão contrária. Nesses anos todos, posso afirmar que a Medicina e a Psiquiatria mais contribuíram para aumentar do que diminuir essa fragmentação.
Durante anos eu brincava (e desde Freud sabemos que as brincadeiras são sempre muito verdadeiras) que iria montar uma clínica de três andares: o primeiro andar seria uma academia, mas uma academia diferente. O trabalho físico serviria para criar e aumentar a consciência corporal. Professoras vestidas de Xuxa dando gritinhos e forçando os limites dos alunos seriam proibidas. Mais flexibilidade e menos hipertrofia, mais alongamento e menos repetição automática e algo maníaca de movimentos. Condicionamento gradativo, tonificação e manutenção, sem tentar bater recordes todos os dias e instrutores motivados gritando "Vamo' lá!"nos seus ouvidos.
No segundo andar, técnicas Mente-Corpo: Visualização Criativa, conhecida entre os junguianos como Imaginação Ativa, Yoga e Meditação. Expansão da Consciência e tranquilização de sintomas ansiosos e técnicas de copyng (não consigo traduzir essa palavra. Copyng seria algo como "lidar com") de estresse e estressores. O terceiro andar teria uma sala de Nutrição e mais do que isso, de Terapia Nutricional. O trabalho seria acompanhado e complementado pela Psicologia e Psicoterapias Junguiana e de EMDR. Se todas as salas falharem, aí sim o paciente finalmente entraria na sala do Psiquiatra.
Acho melhor não pedir financiamento para nenhum laboratório. Acho que eles não vão curtir o projeto, que foi desenhado para dar prejuízo para eles. Os medicamentos que eles produzem, em muitos casos, são maravilhosos, mas a ação combinada de técnicas e trabalhos humanos de baixo impacto tecnológico certamente diminuem ou mesmo anulam a necessidade de tratamento medicamentoso. Não só de medicamentos psiquiátricos, mas de todos os dinossauros da indústria, como remédios para o Colesterol, Diabetes, Hipertensão. Acho melhor não postar esse blog. Vou ser cortado do circuito dos laboratórios. Chega de chocolatinhos e outros brinquedos para o doutor.
Vamos fazer uma pequena aula para inaugurar esse projeto. Psiquiatria, Psicoterapia e Nutrição trabalhando integradas. Não temos três andares, e ainda falta muito para termos toda essa equipe. Mas já estou sentindo aquele desenho do homem fragmentado se juntando, aos poucos. Todos os pedaços.
Durante anos eu brincava (e desde Freud sabemos que as brincadeiras são sempre muito verdadeiras) que iria montar uma clínica de três andares: o primeiro andar seria uma academia, mas uma academia diferente. O trabalho físico serviria para criar e aumentar a consciência corporal. Professoras vestidas de Xuxa dando gritinhos e forçando os limites dos alunos seriam proibidas. Mais flexibilidade e menos hipertrofia, mais alongamento e menos repetição automática e algo maníaca de movimentos. Condicionamento gradativo, tonificação e manutenção, sem tentar bater recordes todos os dias e instrutores motivados gritando "Vamo' lá!"nos seus ouvidos.
No segundo andar, técnicas Mente-Corpo: Visualização Criativa, conhecida entre os junguianos como Imaginação Ativa, Yoga e Meditação. Expansão da Consciência e tranquilização de sintomas ansiosos e técnicas de copyng (não consigo traduzir essa palavra. Copyng seria algo como "lidar com") de estresse e estressores. O terceiro andar teria uma sala de Nutrição e mais do que isso, de Terapia Nutricional. O trabalho seria acompanhado e complementado pela Psicologia e Psicoterapias Junguiana e de EMDR. Se todas as salas falharem, aí sim o paciente finalmente entraria na sala do Psiquiatra.
Acho melhor não pedir financiamento para nenhum laboratório. Acho que eles não vão curtir o projeto, que foi desenhado para dar prejuízo para eles. Os medicamentos que eles produzem, em muitos casos, são maravilhosos, mas a ação combinada de técnicas e trabalhos humanos de baixo impacto tecnológico certamente diminuem ou mesmo anulam a necessidade de tratamento medicamentoso. Não só de medicamentos psiquiátricos, mas de todos os dinossauros da indústria, como remédios para o Colesterol, Diabetes, Hipertensão. Acho melhor não postar esse blog. Vou ser cortado do circuito dos laboratórios. Chega de chocolatinhos e outros brinquedos para o doutor.
Vamos fazer uma pequena aula para inaugurar esse projeto. Psiquiatria, Psicoterapia e Nutrição trabalhando integradas. Não temos três andares, e ainda falta muito para termos toda essa equipe. Mas já estou sentindo aquele desenho do homem fragmentado se juntando, aos poucos. Todos os pedaços.
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