Nas longas horas que ficamos no trânsito aqui de São Paulo temos a oportunidade de ouvir muito rádio. Muita coisa ruim e muita coisa boa, se soubermos garimpar. Outro dia ouvi uma coisa boa, uma entrevista de Frei Beto na CBN. Entre outras coisas, ele lembrou que na década de 70, quando ele viveu seu sonho de juventude, havia uma farta oferta de drogas e uma juventude ávida em consumi-la, mas a Utopia libertava sua geração de se afundar, como hoje, no consumo regular e alienante de todo tipo de droga. Onde falta a Utopia, sobra o desespero. Querer salvar o Mundo, o Amor ou a conta bancária pode dar um sentido, um vetor para o sujeito diante do Devir. Falar em utopia hoje é resvalar no desespero, no vazio e na descrença pura e simples diante de tudo o que está aí. Quem leu o meu último post deve achar que estou muito feliz e esperançado com todas essas manifestações de rua que atravessam o país e, espero, devem perder força nessa semana. A minha leitura mais azeda do movimento é que se trata de um gigantesco Flash Mob. Flash Mob, para quem não sabe, são intervenções de grupos organizados nas Redes Sociais que produzem uma dança, uma cena, um pequeno joke urbano por alguns segundos, para depois cada um retomar a sua rotina no ciclo eterno de Nascer-Viver-Consumir-Morrer que vivemos no dia a dia. O Flash Mob pode reunir um grupo de fãs do Pica Pau para reproduzirem uma cena famosa desse desenho. Pode ser uma intervenção dessas, meio Sem Noção e meio Nonsense, que produz uma micro intervenção de uma tribo na paisagem urbana para depois, quase que imediatamente, retomar seu anonimato.
As passeatas como um Flash Mob gigante é a canalização de um sentimento coletivo de impotência e angústia diante dos descalabros e pataquadas que não cansam de serem produzidas por Executivo, Legislativo e Judiciário, não necessariamente nessa ordem. Uma republiqueta com Psique feudal e oito milhões de quilômetros quadrados de disputas por fronteiras, mamatas e propinas. As pessoas tomaram as ruas para mostrarem que sabem gritar. Alguns aproveitaram para depredação, manifestos políticos a apolíticos e antipolíticos com um discreto mas consistente ranço autoritário. Desqualificar todo o processo político é uma forma consistente de introduzir o Autoritarismo e o Totalitarismo, sempre com a premissa perigosa que “nós somos melhores do que eles”. Essa pressuposição é o estopim de guerras e perseguições de todos os tipos.
O que um junguiano não pode ignorar é a sensação clara da decadência, ou mutação profunda das imagens e funções paternas em nosso Ocidente e nossa Cultura. Esses agrupamentos e desagrupamentos instantâneos que são produzidos nas Redes Sociais permitem a essa legião de jovens que não acreditam em mais nada, se agruparem e saírem pelas ruas depredando placas e lixeiras, gritando contra autoridades e ordens de poder que eles pouco ou nada compreendem, mas que desqualificam pela ausência de uma força organizadora, aglutinadora que surgem nas lideranças. O Puer aeternus, a eterna juventude se manifesta nesse Flash Mob da Terra do Nunca, onde todos são adolescentes que não tem pressa nem vocação para crescer. Antes dizíamos da decadência do arquétipo do Pai. Hoje podemos falar na decadência do arquétipo do Herói, aquele que pega o cajado e conduz a massa faminta. O grupo dos Peter Pans pósmodernos não acreditam em ninguém com mais de vinte anos, não acreditam em nenhuma boa intenção e, pior, não fazem a mínima ideia do que fazer com esse gigantesco megafone que são as passeatas e as Redes Sociais. Como diria frei Beto, eles carecem de Utopia. Ou estão lambuzados de tantas Utopias que não sabem como agrupá-las e o que priorizar antes.
Pois é. Meninos, votem no tiozão aqui. Vamos colocar um pouco de Método nesse berreiro. Precisamos das linhas orientadoras do Pai para encontrarmos o caminho. Gritar é bom, ser ouvido é melhor ainda.
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domingo, 23 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Um Filho Teu Não Foge À Luta
Há muitas décadas que eu sou leitor de jornais, aquela coisa que suja as nossas mãos de tinta e que tende a desaparecer, inexoravelmente, como as máquinas de escrever e os discos de vinil. Os sociólogos sempre anunciavam um país, o Brasil, às portas de uma convulsão social. Com as suas diferenças sociais, as hordas de excluídos tomariam as ruas e decapitariam as Marias Antonietas do Congresso e Palácio do Planalto. O país cresceu e continuou injusto, as hordas de miseráveis foram compradas e condenadas à miséria perene pelo Bolsa Família. Nos dez anos de PT no poder, os ricos ficaram mais ricos, os pobres passaram a comprar iogurte e bolachas recheadas, em vez das de maizena. A classe média pode se fartar de compras em Miami, em tempos de Real valorizado. Parecia a fórmula perfeita: altos ganhos para especuladores, duzentos mil “companheiros” e pelegos em geral aboletados na máquina no Estado, economia aquecida à custa de setores produtivos e ainda competitivos em tempos de dólar barato, a classe C e D visitando os aeroportos para viajar, não para ver aviões subindo e descendo. Não haveria a tal convulsão social. O paraíso do consumo nos libertaria de todas as angústias e pruridos de cidadania.
O preço da festança logo começou a se delinear: mensaleiros, dólares na cueca, sucateamento da indústria, paralisia das obras de infraestrutura, tudo era estampado nos jornais e nas mídias, diante do riso sardônico dos “companheiros”, que já haviam comprado a todos, então, como disse um deputado, estou cagando para a Opinião Pública. Os votos estão comprados, as eleições e as reeleições estão garantidas, quem se preocupa com o grupo da população que ainda lê jornais e ainda exercita alguma indignação? Dilma ainda ensaiou uma pretensa “faxina” no começo de seu governo tentando acenar para a Classe Média (tão obsoleta como nossas velhas Olivettis e vitrolas) que haveria algum controle da gigantesca putaria que desfilava diante de nossos olhos cansados. Que nada. Algumas figuras burlescas demitidas e a gigantesca avacalhação continua sólida, implacável, fazendo estádios com preços exorbitantes e materiais de segunda.
O movimento que agora toma as ruas de todo país não é da horda de miseráveis e famintos, como um dia pregaram os sociólogos. Os petistas foram expulsos da passeata de ontem, numa mais do que doce ironia. Os políticos continuam perplexos, balbuciando coisas como “as pessoas precisam ir trabalhar”; “Vou abrir as planilhas para explicar o aumento de 20 centavos”; “O que vocês querem, afinal, meu Deus?”. Quem está na rua está dizendo que sabemos, sim, o que está acontecendo. As ruas não estão sendo ocupadas para reduzir as tarifas, criar um novo partido político ou fazer uma pauta grevista. As pessoas estão nas ruas para dizerem que estão vendo o que está acontecendo e que podem desestabilizar o conluio perfeito de Direita e Pseudoesquerda que negam às pessoas o direito ainda mais importante do que a Liberdade, que é um respeito mínimo pela nossa inteligência. Não há uma pauta definida, não há um método de enunciação ou reivindicação. As pessoas só sabem de uma coisa: estão todas de saco cheio dos descalabros e das manipulações obscenas. Elas aprenderam a gritar. Pode ser que a maioria silenciosa e faminta continue votando nos currais do Bolsa Família. Mas a Classe Média passa a ser definida não pelo saldo bancário, mas pela capacidade de pensar e criticar. Existe um pouco de vida inteligente no país gritando, chega, meu Deus, chega. Um grupo ainda pensante. Pensante e gritante.
O preço da festança logo começou a se delinear: mensaleiros, dólares na cueca, sucateamento da indústria, paralisia das obras de infraestrutura, tudo era estampado nos jornais e nas mídias, diante do riso sardônico dos “companheiros”, que já haviam comprado a todos, então, como disse um deputado, estou cagando para a Opinião Pública. Os votos estão comprados, as eleições e as reeleições estão garantidas, quem se preocupa com o grupo da população que ainda lê jornais e ainda exercita alguma indignação? Dilma ainda ensaiou uma pretensa “faxina” no começo de seu governo tentando acenar para a Classe Média (tão obsoleta como nossas velhas Olivettis e vitrolas) que haveria algum controle da gigantesca putaria que desfilava diante de nossos olhos cansados. Que nada. Algumas figuras burlescas demitidas e a gigantesca avacalhação continua sólida, implacável, fazendo estádios com preços exorbitantes e materiais de segunda.
O movimento que agora toma as ruas de todo país não é da horda de miseráveis e famintos, como um dia pregaram os sociólogos. Os petistas foram expulsos da passeata de ontem, numa mais do que doce ironia. Os políticos continuam perplexos, balbuciando coisas como “as pessoas precisam ir trabalhar”; “Vou abrir as planilhas para explicar o aumento de 20 centavos”; “O que vocês querem, afinal, meu Deus?”. Quem está na rua está dizendo que sabemos, sim, o que está acontecendo. As ruas não estão sendo ocupadas para reduzir as tarifas, criar um novo partido político ou fazer uma pauta grevista. As pessoas estão nas ruas para dizerem que estão vendo o que está acontecendo e que podem desestabilizar o conluio perfeito de Direita e Pseudoesquerda que negam às pessoas o direito ainda mais importante do que a Liberdade, que é um respeito mínimo pela nossa inteligência. Não há uma pauta definida, não há um método de enunciação ou reivindicação. As pessoas só sabem de uma coisa: estão todas de saco cheio dos descalabros e das manipulações obscenas. Elas aprenderam a gritar. Pode ser que a maioria silenciosa e faminta continue votando nos currais do Bolsa Família. Mas a Classe Média passa a ser definida não pelo saldo bancário, mas pela capacidade de pensar e criticar. Existe um pouco de vida inteligente no país gritando, chega, meu Deus, chega. Um grupo ainda pensante. Pensante e gritante.
domingo, 6 de novembro de 2011
O Sonho do Arquétipo
Há um pequeno e maravilhoso texto de Jorge Luís Borges, escritor argentino, em que um homem, provável fora da lei, é sistematicamente esfaqueado pelos homens de seu bando, até que vê, em meio a seus agressores, a figura de seu filho de criação. Ele olha para o traidor e suspira: "Peró, hombre!". O narrador conclui que ele não sabia que aquilo estava acontecendo para que uma cena se repetisse. O texto, pequeno, gaúcho, mítico, faz uma alusão a uma cena de "Júlio César", de Shakespeare, onde o imperador de Roma é apunhalado por seus traidores no Senado, até entrever a figura de seu filho. "Até tú, Brutus?" foi a frase que atravessou os séculos e que Borges estava recriando numa cena de faca gaúcha.
Jung descobriu que, além das memórias e dos inonscientes pessoais, havia uma série de imagens, impressões e estruturas que todos compartilhamos, o Inconsciente Coletivo. Esse extrato do inconsciente tem uma espécie de DNA, os arquétipos. Mãe, Herói, Velho Sábio, são imagens e estruturas que se manifestam em todas as culturas, em todos os mitos, numa repetição infinita. Somos, na verdade, um sonho dos arquétipos. Repetimos histórias e mitologias, mesmo sem perceber. Os arquétipos são os moldes que se repetem em nossa vida como farsa ou como tragédia.
Uma coisa que é arquetípica é a nossa capacidade de contar histórias. Outro dia estava estudando com o meu filho para uma prova de História, matéria que era a minha preferida na escola. Que livro simplesmente horroroso. Um livro de História que não conta histórias. Alinha os fatos, estabelece relações, inclue documentos, tudo isso com um tom assim meio determinista\marxista, mostrando os determinismos econõmicos dos movimentos históricos. Mas a tal autora não contava, em lugar nenhum, a história. Nossos arquétipos históricos. Eu fiquei tagarelando a história que me lembrava, os 18 do Forte e a nossa atual revolta contra as oligarquias e a corrupção. Luís Carlos Prestes, o cavaleiro da Esperança e a entrega de sua esposa grávida, Olga Benário, ao holocausto nazista, uma das páginas mais vergonhosas de nossa história. Ele ouvia aquilo com algum interesse mas logo tínhamos que voltar aos fatos, como um livro descrito com a frieza analítica de um relato jornalístico.
Nas próximas semanas vou incluir nesse blog quase secreto algumas blogstórias, para demonstrar como acabamos repetindo essas cenas de forma inconsciente. Ao contrário do livro, vou contar as histórias. Vou dar um exemplo.
Há algumas semanas eu fiz um paralelo da vida e morte de Steve Jobs com o Mito de Édipo. Édipo quer dizer "Pés Inchados", ou "O Coxo". Vários séculos depois de ter sido escrito, ainda somos assombrados pelo sofrimento do Rei de Tebas. Èdipo representa a nossa condição humana, não porque somos afim de nossa mãe e queremos matar o pai, essa é outra conversa. Èdipo representa a nossa ferida humana fundamental: apesar de tanto domínio da técnica, da vida e da morte, internamente carregamos a Ferida Arquetípica, a sensação de estarmos separados do Todo e da nossa natureza original. Recentemente saiu uma fofoca que Steve Jobs recusou a cirurgia que poderia ter salvado a sua vida e quando correu atráz, era tarde demais. Disse o amigo que fez a fofoca que ele se considerava especial por ser um filho adotivo. Bobagem. Steve Jobs foi sob esse aspecto, um herói trágico, que vence mas acaba sucumbindo à própria ferida. Como Édipo.
Apesar de toda produção e ares de grandeza, temos os pés inchados e as dores da nossa natureza humana. E vivemos algumas coisas para que as cenas se repitam em nossa vida.
Para os poucos e fiéis leitores: essa seção de blog será indicado nas Blogstórias.
Jung descobriu que, além das memórias e dos inonscientes pessoais, havia uma série de imagens, impressões e estruturas que todos compartilhamos, o Inconsciente Coletivo. Esse extrato do inconsciente tem uma espécie de DNA, os arquétipos. Mãe, Herói, Velho Sábio, são imagens e estruturas que se manifestam em todas as culturas, em todos os mitos, numa repetição infinita. Somos, na verdade, um sonho dos arquétipos. Repetimos histórias e mitologias, mesmo sem perceber. Os arquétipos são os moldes que se repetem em nossa vida como farsa ou como tragédia.
Uma coisa que é arquetípica é a nossa capacidade de contar histórias. Outro dia estava estudando com o meu filho para uma prova de História, matéria que era a minha preferida na escola. Que livro simplesmente horroroso. Um livro de História que não conta histórias. Alinha os fatos, estabelece relações, inclue documentos, tudo isso com um tom assim meio determinista\marxista, mostrando os determinismos econõmicos dos movimentos históricos. Mas a tal autora não contava, em lugar nenhum, a história. Nossos arquétipos históricos. Eu fiquei tagarelando a história que me lembrava, os 18 do Forte e a nossa atual revolta contra as oligarquias e a corrupção. Luís Carlos Prestes, o cavaleiro da Esperança e a entrega de sua esposa grávida, Olga Benário, ao holocausto nazista, uma das páginas mais vergonhosas de nossa história. Ele ouvia aquilo com algum interesse mas logo tínhamos que voltar aos fatos, como um livro descrito com a frieza analítica de um relato jornalístico.
Nas próximas semanas vou incluir nesse blog quase secreto algumas blogstórias, para demonstrar como acabamos repetindo essas cenas de forma inconsciente. Ao contrário do livro, vou contar as histórias. Vou dar um exemplo.
Há algumas semanas eu fiz um paralelo da vida e morte de Steve Jobs com o Mito de Édipo. Édipo quer dizer "Pés Inchados", ou "O Coxo". Vários séculos depois de ter sido escrito, ainda somos assombrados pelo sofrimento do Rei de Tebas. Èdipo representa a nossa condição humana, não porque somos afim de nossa mãe e queremos matar o pai, essa é outra conversa. Èdipo representa a nossa ferida humana fundamental: apesar de tanto domínio da técnica, da vida e da morte, internamente carregamos a Ferida Arquetípica, a sensação de estarmos separados do Todo e da nossa natureza original. Recentemente saiu uma fofoca que Steve Jobs recusou a cirurgia que poderia ter salvado a sua vida e quando correu atráz, era tarde demais. Disse o amigo que fez a fofoca que ele se considerava especial por ser um filho adotivo. Bobagem. Steve Jobs foi sob esse aspecto, um herói trágico, que vence mas acaba sucumbindo à própria ferida. Como Édipo.
Apesar de toda produção e ares de grandeza, temos os pés inchados e as dores da nossa natureza humana. E vivemos algumas coisas para que as cenas se repitam em nossa vida.
Para os poucos e fiéis leitores: essa seção de blog será indicado nas Blogstórias.
domingo, 16 de janeiro de 2011
A Chuva e o Silêncio
Vou me manter um pouco nesse assunto. A TV só mostra as imagens da tragédia carioca, ficamos presos e presas da impotência. Não estamos acostumados às tragédias naturais, e essa época do ano está começando a nos treinar no assunto. É o terceiro ano que as chuvas produzem essas cenas de devastação, a segunda vez no Rio de Janeiro. Na Medicina Chinesa, o elemento água pode ser contido pela terra e vem apagar o fogo. Vivemos uma época de muito fogo, muita aceleração, gerando grandes desequilíbrios, inclusive globalmente. Queimamos muito, corremos mais ainda, geramos calor na atmosfera e no planeta. Muito do que está postado nesse blog fala sobre isso. Podemos ver, quando ocorre a tragédia, a mídia procurando culpados, e sempre vai encontrar alertas ignorados, ações adiadas e ministros desviando verbas a seu estado de origem. Mas fica um gosto amargo que todos temos participação nesse tipo de evento. Por que será?
O psiquiatra suiço Carl Jung descobriu, ou redescobriu, o Inconsciente Coletivo. Uma paciente minha teve há alguns anos um forte pesadelo, acordou gritando em uma língua estranha, o marido afirmou que parecia russo. No dia seguinte houve a invasão de uma escola e crianças foram massacradas na Chechênia, com imagens aterrorizantes atravessando o mundo. Crianças russas. O Inconsciente Coletivo é um substrato psíquico que nos une a todos, em todo o mundo. Podemos nos emocionar com os mineiros de Chile e com as histórias de heroísmo e resistência na tragédia de Terezópolis, porque estamos conectados no Inconsciente Coletivo. É por esse motivo que nos sentimos parte do que está acontecendo. Mas como ajudar? Como diminuir a marcha da loucura coletiva?
Podemos nos conectar gentilmente com Gaia, a psique do planeta, e pedir que as forças da natureza se harmonizem. Os budistas fazem isso o tempo todo sem pensarem que isso é tolo ou pouco científico. Podemos orar, em silêncio. Parece pouco, mas não é.
O psiquiatra suiço Carl Jung descobriu, ou redescobriu, o Inconsciente Coletivo. Uma paciente minha teve há alguns anos um forte pesadelo, acordou gritando em uma língua estranha, o marido afirmou que parecia russo. No dia seguinte houve a invasão de uma escola e crianças foram massacradas na Chechênia, com imagens aterrorizantes atravessando o mundo. Crianças russas. O Inconsciente Coletivo é um substrato psíquico que nos une a todos, em todo o mundo. Podemos nos emocionar com os mineiros de Chile e com as histórias de heroísmo e resistência na tragédia de Terezópolis, porque estamos conectados no Inconsciente Coletivo. É por esse motivo que nos sentimos parte do que está acontecendo. Mas como ajudar? Como diminuir a marcha da loucura coletiva?
Podemos nos conectar gentilmente com Gaia, a psique do planeta, e pedir que as forças da natureza se harmonizem. Os budistas fazem isso o tempo todo sem pensarem que isso é tolo ou pouco científico. Podemos orar, em silêncio. Parece pouco, mas não é.
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