Vou me manter um pouco nesse assunto. A TV só mostra as imagens da tragédia carioca, ficamos presos e presas da impotência. Não estamos acostumados às tragédias naturais, e essa época do ano está começando a nos treinar no assunto. É o terceiro ano que as chuvas produzem essas cenas de devastação, a segunda vez no Rio de Janeiro. Na Medicina Chinesa, o elemento água pode ser contido pela terra e vem apagar o fogo. Vivemos uma época de muito fogo, muita aceleração, gerando grandes desequilíbrios, inclusive globalmente. Queimamos muito, corremos mais ainda, geramos calor na atmosfera e no planeta. Muito do que está postado nesse blog fala sobre isso. Podemos ver, quando ocorre a tragédia, a mídia procurando culpados, e sempre vai encontrar alertas ignorados, ações adiadas e ministros desviando verbas a seu estado de origem. Mas fica um gosto amargo que todos temos participação nesse tipo de evento. Por que será?
O psiquiatra suiço Carl Jung descobriu, ou redescobriu, o Inconsciente Coletivo. Uma paciente minha teve há alguns anos um forte pesadelo, acordou gritando em uma língua estranha, o marido afirmou que parecia russo. No dia seguinte houve a invasão de uma escola e crianças foram massacradas na Chechênia, com imagens aterrorizantes atravessando o mundo. Crianças russas. O Inconsciente Coletivo é um substrato psíquico que nos une a todos, em todo o mundo. Podemos nos emocionar com os mineiros de Chile e com as histórias de heroísmo e resistência na tragédia de Terezópolis, porque estamos conectados no Inconsciente Coletivo. É por esse motivo que nos sentimos parte do que está acontecendo. Mas como ajudar? Como diminuir a marcha da loucura coletiva?
Podemos nos conectar gentilmente com Gaia, a psique do planeta, e pedir que as forças da natureza se harmonizem. Os budistas fazem isso o tempo todo sem pensarem que isso é tolo ou pouco científico. Podemos orar, em silêncio. Parece pouco, mas não é.
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domingo, 16 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Futebol e Tragédia
Acho que a presidenta do Flamengo, a ex nadadora Patrícia Amorim é um pouco pé frio. Ao assumir o Flamengo no ano passado logo se deparou com a história escabrosa do goleiro Bruno, que tirou o seu clube da página de esportes para deixá-lo como presença cativa nas páginas policiais. Ontem, depois de uma novela e de um espetáculo de malcaratismo nunca dantes visto, finalmente Ronaldinho Gaúcho acertou com o Flamengo e discursou na arquibancada repleta de rubros negros desocupados: "Agora eu sou Mengão!" disse o quase ex jogador Ronaldinho com a voz empostada de rapper carioca. Já dava para tomar litros de Plasil só com essa declaração de amor regado a milhões de reais dos patrocinadores. Patrícia Amorim se esgoelava: "Ronaldinho é nosso!". Wagner Love pulava para as câmeras (Wagner Love? O que fazia lá o Wagner Love?). Na sociedade do espetáculo, qualquer ocasião para se pendurar em frente ao olhar fatigado do público de consumidores deve ser aproveitado. Nas manchetes de hoje, o jornal desloca a festa boboca do Flamengo para um canto de página. Em destaque, a tragédia pavorosa da região serrana do Rio de Janeiro, o número recorde de mortos, as autoridades (?) atarantadas tentando organizar o socorro, as pessoas correndo das águas e da morte em meio aos corpos boiando. Tudo isso aconteceu algumas poucas horas depois da festa.
Longe de mim o moralismo da classe média diante das cifras para se ter o Ronaldinho em seu time. Como o seu xará do Corinthians, Ronaldinho vive da reprise de suas jogadas na época em que ele jogava bola, até 2005. Depois ele virou um espectro, uma sombra de um dos maiores malabaristas que já jogaram no Barcelona. Ronaldinho vende camisas e esperança para torcedores que esperam um lampejo do gênio que já foi. O seu irmão, Assis, ele mesmo craque de bola em seus tempos, mas ainda mais craque para espremer a laranja de seu irmão em níveis nunca dantes vistos, sorria de satisfação diante de páginas e páginas do Twitter onde ele é comparado a Judas, para citar a comparação mais branda.
Ficamos envregonhados diante das encostas desabadas, a sensação de impotência em ajudar nossos irmãos que sofrem pela fúria da natureza. Ronaldinho não teve nada a ver com essa tragédia, é claro. Mas a sua apresentação farsesca vai ficar associada a essas imagens. É o custo de se viver dessas imagens que povoam nosso imaginário empobrecido. Cinquenta milhões de reais para ter Ronaldinho penteando a bola na intermediária, sem explosão muscular para chegar na área. E nem um centavo do Governo Federal para a prevenção de desastres naturais. Tudo com um gosto amargo de reprise.
Longe de mim o moralismo da classe média diante das cifras para se ter o Ronaldinho em seu time. Como o seu xará do Corinthians, Ronaldinho vive da reprise de suas jogadas na época em que ele jogava bola, até 2005. Depois ele virou um espectro, uma sombra de um dos maiores malabaristas que já jogaram no Barcelona. Ronaldinho vende camisas e esperança para torcedores que esperam um lampejo do gênio que já foi. O seu irmão, Assis, ele mesmo craque de bola em seus tempos, mas ainda mais craque para espremer a laranja de seu irmão em níveis nunca dantes vistos, sorria de satisfação diante de páginas e páginas do Twitter onde ele é comparado a Judas, para citar a comparação mais branda.
Ficamos envregonhados diante das encostas desabadas, a sensação de impotência em ajudar nossos irmãos que sofrem pela fúria da natureza. Ronaldinho não teve nada a ver com essa tragédia, é claro. Mas a sua apresentação farsesca vai ficar associada a essas imagens. É o custo de se viver dessas imagens que povoam nosso imaginário empobrecido. Cinquenta milhões de reais para ter Ronaldinho penteando a bola na intermediária, sem explosão muscular para chegar na área. E nem um centavo do Governo Federal para a prevenção de desastres naturais. Tudo com um gosto amargo de reprise.
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