A Medicina, como qualquer ciência, é cheia de enigmas. A Tecnologia nos trouxe muito em termos de compreensão dos processos e formas de intervir nas doenças. A Medicina tradicional Alopática, da qual faço parte e trabalho, coleciona sucessos em todos os campos. Fracassamos redondamente com uma série de outras, como a epidemia de Obesidade.
Assistimos desde a metade do século passado a explosão de doenças inflamatórias. Uma inflamação dentro da cavidade de uma artéria é um exemplo. Se essa artéria for uma Coronária, levando sangue para o Coração, ou uma Carótida, levando sangue para o Sistema Nervoso, essa inflamação pode causar muita confusão um dia desses.
A atividade inflamatória é uma defesa de nosso organismo contra todo tipo de ataque, desde uma pancada a uma pneumonia. Nas últimas décadas a nossa alimentação foi ficando cada vez mais dependente de processos industriais, subtraindo nutrientes essenciais perdidos no processamento de alimentos e refinamento. Esses processos aumentam a nossa resposta inflamatória. Os reatores nucleares de Fukushima me lembram tristemente a nossa civilização inflamatória. Muita pressa, muito calor gerado, falhas no processo de resfriamento. Nossa atividade inflamatória pode estar assim, e nem imaginamos.
Já está muito claro há décadas que o açúcar refinado, a farinha branca existente em pães e bolachas em muito contribuem para levar uma mensagem falsa ao Cérebro, que é: "Está faltando comida". Lembro de minhas aulas de Nutrição, no segundo ano de faculdade, das fotos de bebês severamente desnutridos e obesos, em regiões onde as mães dispunham de muita farinha e poucos vegetais e carnes para alimentá-los. A atual epidemia de Sobrepeso e Obesidade pode ter muito a ver com isso. Muita comida processada e reprocessada, muita farinha, açúcar e poucos vegetais.
Aqui em nossa clínica estamos contando já há algum tempo com uma Nutricionista na equipe. Sempre que eu encaminho alguém para ela, vejo a expressão de desalento no rosto da pessoa que já tentou vários e exaustivos regimes, sempre terminando cpm a recuperação do peso perdido, muitas vezes com lucro. O pior é que normalmente a pessoa incorpora o senso comum que transforma a pessoa portadora dessa doença em criminosa. "Eu não tenho força de vontade". "Eu sei o que preciso fazer, a hora em que eu estiver pronta, vou fazer", ou, como um gordinho famoso falou: "O problema é a minha Tireóide".
Há algumas semanas temos feito reuniões para conjugar o trabalho da Nutrição, da Psicologia e da Psiquiatria para decifrar esse enigma: como ensinar as pessoas a aumentar a sua consciência alimentar, como modificar gradativamente os padrões alimentares e transformar o emagrecimento em uma paixão, em vez de uma tortura. Será que conseguiremos? Os resultados iniciais são bons. Mas não é essa a minha pergunta. A minha pergunta é como alguém pode montar um serviço de atenção ao Sobrepeso e Obesidade que não tenha sempre uma equipe dessas atuando.
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segunda-feira, 21 de março de 2011
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