Hoje acordei com aquela sensação de irrealidade, pensando se o que aconteceu ontem não foi apenas um sonho ruim. Hoje iríamos enfrentar a Alemanha e ganharíamos num jogo duro, mas leal. Um a zero, com gol de um dos malditos de nosso time, Fred ou Hulk. Mais alguns minutos e a memória do chocolate que o Brasil tomou da Alemanha se impôs. Óbvio que o experiente e carismático Felipão hoje virou um técnico superado. A mídia clama por um técnico estrangeiro, mas parece que é Tite que vai assumir a seleção. Os cronistas clamam por reforma do Futebol. A única nota que me arrancou um sorriso foi saber que Marin e Del Nero, a dupla Debi e Lóide que pretendem mandar no futebol brasileiro, está se borrando com medo de CPI e de medidas que varram essa corja do comando. E, por falar em corja, nossa presidente Dilma também teme que a tragédia do Mineirão contamine a política e a economia do país. Se são esses que estão incomodados, então pode não ter sido em vão.
O volante/armador/atacante Toni Kroos, um dos melhores jogadores dessa Copa, senão o melhor, que enfiou dois dos sete gols na meta de Júlio César, falou algo que me chamou muito a atenção em sua entrevista coletiva: o time da Alemanha sabia muito bem da fragilidade emocional da seleção brasileira, vergada pela expectativa e responsabilidade de ter um país nas suas costas. Em post anterior eu brinquei que gostaria de ter um time de autistas, que congelassem o ruído e a vibração da torcida e só visse o gol adversário e a necessidade de enfiar lá dentro o maior número de bolas. Estava sendo tristemente profético, mas com o time errado. Toni Kroos revelou o plano de fazer um ou mais gols logo de cara para desestabilizar emocionalmente o time do Brasil e dominar completamente o jogo. Havia uma percepção óbvia, direta dessa fragilidade e ela foi explorada com frieza e objetividade. Sem essa de família Scolari, ou entrar em campo com a mão no ombro do colega, assim tipo Sete Anões; a Alemanha não viu, não ouviu, não sentiu: limitou-se a enfiar o maior números de bolas dentro de nosso gol. No finalzinho do jogo, Özil perdeu um gol na cara de Júlio César. No contrataque, Oscar fez nosso gol solitário. Ele levou uma bronca no meio de campo de seus colegas. E olha que estava sete a zero. Não interessa. Era para ter enfiado mais um.
No primeiro post sobre essa Copa do Mundo que graças a Deus está terminando, falei sobre a nossa pior doença cultural, que é a autoindulgência. O fim desse evento vai nos permitir voltar a nosso país em recessão e com um colapso de infraestrutura, mas que precisa de pessoas trabalhando e produzindo, não de especulações infinitas sobre quem iria substituir Neymar. Enquanto nossa seleção assistia palestras motivacionais recheadas de obviedades para bater palminhas e entrar em campo gritando, a Alemanha planejou meticulosamente todos os seus passos e o que seria necessário para sair desse país com o caneco. Planejou inclusive a melhor maneira de entrar na nossa psique e encontrar o ponto fraco que levou o time ao maior colapso emocional que já houve em nossa seleção em toda sua história.
Pelo visto, na Segunda Feira o caneco vai estar na bagagem dos chucrutes. E nós vamos retomar a nossa vida, pois este país precisa muito de gente produzindo. Pra frente, Brasil. Tem uma dúzia de pessoas vivendo do Bolsa Família que precisa de nosso trabalho. Vamos que o Real caiu em nossa cabeça por sete vezes.
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quarta-feira, 9 de julho de 2014
domingo, 29 de junho de 2014
Pátria Límbica, Brasil
Experimentos com hamsters, hoje clássicos, demonstraram que o amor não estava no Coração, como diziam os poetas, mas no Cérebro Límbico, o Cérebro Emocional. Se o Neocortex, o que podemos chamar de Cérebro Racional, é removido, os roedores não aprendem mais como sair de labirintos, mas continuam cuidando atenciosamente de seus filhotes. Por outro lado, se as áreas emocionais forem ligeiramente danificadas, os bichos vão resolver qualquer labirinto, mas vão deixar os filhotes morrerem de fome. Há uma relação do afeto com o córtex olfativo, usado pelas ratinhas para localizar as suas crias no escuro. A tal da “Química” entre casais é talvez seja química mesmo, com uma compatibilidade de cheiros, gostos, texturas. Isso que está na base de relações que dão, ou não, liga.
Quem acompanha esse blog sabe que eu já escrevi um texto de apoio e admiração pelo Felipão, técnico da seleção nesta Copa. Felipão é um técnico eminentemente Límbico, pode-se assim dizer. Abraça e beija seus jogadores, xinga juízes e dá peitadas em oponentes. Quando era técnico de Portugal deu uma cabeçada em um beque adversário. No início da carreira, deu uns cascudos em Wanderley Luxemburgo dentro de campo e só por isso já merecia colocar as mãos na Calçada da Fama. Felipão descarta jogadores que não tenham “Espírito de Seleção”, o que eu desconfio que foi o motivo de não chamar o Robinho. Ele sabe que para ganhar os sete jogos que separam uma seleção da taça é preciso foco e motivação absolutas. O problema é que a sua ênfase no aspecto emocional e amoroso do grupo está transformando nossa seleção num bando de mariquinhas. Eles choram abraçados, choram no hino, choram na zona mista, choram antes, durante e depois da decisão por pênaltis contra os tampinhas do Chile. Como os ratinhos de laboratório, a retirada do Neocortex deixa a galera unida, a família Scolari aos prantos, e jogar bola, que é bom, nada. Precisamos de Cérebro para entender o jogo, criar situações inesperadas e executar o adversário de maneira sumária e implacável. Chega de caras fofinhos que entram em campo de mãos dadas. Precisamos de gente de má índole, sobretudo na hora em que passa pela cabeça dos jogadores o que vai acontecer se milhões e milhões de brasileiros se decepcionarem mais uma vez com o futebol.
Uma característica dramática das crianças autistas é a sua capacidade de identificar e retribuir as manifestações de afeto. A doença de Asperger, que está dentro do espectro do Autismo, deixa os pacientes como os ratinhos com lesão límbica: com uma capacidade de inteligência bem próxima ao normal, mas com uma incapacidade de entender emoções complexas, ironias ou frases de duplo sentido. Entendem a lógica, mas tem dificuldades de perceber quando alguém está irritado mas não o demonstra. E, sobretudo, não conseguem retribuir ou demonstrar as emoções que não conseguem processar.
Pode me chamar, Felipão. Vamos acabar com a choradeira e transformar os seus meninos em Autistas, que não ouvem, não sentem, não percebem o que está envolta. Só conseguem ver as traves do adversário e a necessidade de enfiar a bola lá dentro. Várias vezes. Emoção, só com o caneco na mão.
Quem acompanha esse blog sabe que eu já escrevi um texto de apoio e admiração pelo Felipão, técnico da seleção nesta Copa. Felipão é um técnico eminentemente Límbico, pode-se assim dizer. Abraça e beija seus jogadores, xinga juízes e dá peitadas em oponentes. Quando era técnico de Portugal deu uma cabeçada em um beque adversário. No início da carreira, deu uns cascudos em Wanderley Luxemburgo dentro de campo e só por isso já merecia colocar as mãos na Calçada da Fama. Felipão descarta jogadores que não tenham “Espírito de Seleção”, o que eu desconfio que foi o motivo de não chamar o Robinho. Ele sabe que para ganhar os sete jogos que separam uma seleção da taça é preciso foco e motivação absolutas. O problema é que a sua ênfase no aspecto emocional e amoroso do grupo está transformando nossa seleção num bando de mariquinhas. Eles choram abraçados, choram no hino, choram na zona mista, choram antes, durante e depois da decisão por pênaltis contra os tampinhas do Chile. Como os ratinhos de laboratório, a retirada do Neocortex deixa a galera unida, a família Scolari aos prantos, e jogar bola, que é bom, nada. Precisamos de Cérebro para entender o jogo, criar situações inesperadas e executar o adversário de maneira sumária e implacável. Chega de caras fofinhos que entram em campo de mãos dadas. Precisamos de gente de má índole, sobretudo na hora em que passa pela cabeça dos jogadores o que vai acontecer se milhões e milhões de brasileiros se decepcionarem mais uma vez com o futebol.
Uma característica dramática das crianças autistas é a sua capacidade de identificar e retribuir as manifestações de afeto. A doença de Asperger, que está dentro do espectro do Autismo, deixa os pacientes como os ratinhos com lesão límbica: com uma capacidade de inteligência bem próxima ao normal, mas com uma incapacidade de entender emoções complexas, ironias ou frases de duplo sentido. Entendem a lógica, mas tem dificuldades de perceber quando alguém está irritado mas não o demonstra. E, sobretudo, não conseguem retribuir ou demonstrar as emoções que não conseguem processar.
Pode me chamar, Felipão. Vamos acabar com a choradeira e transformar os seus meninos em Autistas, que não ouvem, não sentem, não percebem o que está envolta. Só conseguem ver as traves do adversário e a necessidade de enfiar a bola lá dentro. Várias vezes. Emoção, só com o caneco na mão.
domingo, 15 de junho de 2014
País do Futebol
Lá pelos idos dos anos 90, minha esposa fez uma dura consideração sobre o cinema brasileiro: disse que o nosso cinema não sustenta a tragédia. Tudo acaba em Carnaval ou besteirol. Venho tentando responder a essa crítica desde então, sem sucesso. Lembrei, na época e hoje, das filmagens das peças de Nelson Rodrigues, nosso autor de várias tragédias suburbanas. Terminavam em Carnaval. Lembro de um filme de Arnaldo Jabor, “O Casamento”, em que o personagem principal, após confessar um crime que não havia cometido, para expiar a culpa por tantos outros pecados, vai sendo levado na cena final para a prisão, levanta as mãos com algemas em triunfo, a batucada comendo solta, enquanto ele repetia, em transe: “Eu sou um assassino”. Veja bem, termina em batucada. Eu poderia citar o “Abril Despedaçado”, do Valtinho Moreira Sales, como uma tragédia brasileira, de morte e assassinato no agreste. O filme é lento, chato e parece iraniano, como, se não me angano, o livro que originou o roteiro. Nunca consegui assistí-lo inteiro para poder usá-lo como argumento. A brincadeira versa sobre nossa incrível vocação tupiniquim para a autoindulgência, para o descuido estético e a desatenção aos detalhes porque somos o país do Samba e do Carnaval. Somos incompetentes, mas muito alegres.
Fui comprar uma camiseta do Brasil para meu filho na véspera da estréia da Copa do Mundo. O estoque acabou rápido em uma grande loja de material esportivo. Como não vendia nada, os estoques estavam pequenos. Foi um Deus nos acuda para encomendar o atual modelo, com aquela gola feiosa. Começamos a entrar na Copa bem devagar. Acho que estávamos naquele suspense do que poderia acontecer, antevendo vexames, greves, black blocks e passeatas causando caos urbano e fracasso total do evento. Hoje as vendas de camisetas estão bombando. O fracasso tem sido relativo, e tolerável, então as pessoas vão se animando. Eu, pessoalmente, tenho me retorcido de vergonha em várias ocasiões. A Cerimônia de Abertura foi de provocar náuseas. A Festa Junina da escolinha da minha sobrinha foi bem melhor. Se as nossas tragédias terminam em Carnaval, a Abertura da Copa terminou em tragédia. Que lixo, que pobreza franciscana de imaginação e coreografias. Sobretudo, que coisinha feita sem capricho. As tribunas dos convidados internacionais ficaram vazias até a hora do jogo. Soube-se depois que estavam perdidos pelo estádio, tentando achar os seus lugares, ou encontrá-los mediunicamente, já que não tinha sinalização interna no estádio. A internet não funcionou e a imprensa se comunicava por celular. As luzes de parte do estádio se apagaram no Primeiro Tempo e eu fiquei mais preocupado com isso do que com o gol contra do Marcelo. Só faltava parar o jogo por falta de iluminação. Na Arena das Dunas, choveu mais no público do que no campo, pelas inúmeras goteiras não consertadas a tempo. Na Fonte Nova, acabou a comida e a bebida.
Falar sobre esses vexames, essas falhas lamentáveis, pode ser classificado de antipatriótico. Lula, sempre ele, classificou os xingamentos da torcida à presidente Dilma (que eu também não endosso) de uma reação da “elite branca”, obesa e reacionária, contra o governo imaculado do PT.
Nossa velha comiseração tudo perdoa, já que somos um país de gente afetiva, acolhedora e alegre. Os gringos se deliciam com essa alegria, e há um esforço coletivo de receber bem essas pessoas, de apagar essas falhas de organização com nossa pegada festeira. Lula, em mais um surto de sinceridade etílica, falou em entrevista que levar o metrô até dentro do estádio é uma babaquice. Brasileiro vai a pé e de jumento, disse o nosso ex (?) presidente.
Nossa tragédia cotidiana está assentada nessa indulgência frouxa, nessa capacidade de batucar, sorrir e rebolar a bunda para os buanas enquanto cometemos erros grosseiros em todos os setores de nosso país, que caminha aos passos largos para um apagão de infraestrutura e estagnação econômica. Espero que a Copa engrene e que as presepadas se tornem menos visíveis. Mas o bom mesmo é essa Copa terminar rápido e podermos voltar para o trabalho, pois esse país tem muita gente que trabalha e que merece descer de metrô, e não de jumento, nos estádios construídos e superfaturados com dinheiro público.
Fui comprar uma camiseta do Brasil para meu filho na véspera da estréia da Copa do Mundo. O estoque acabou rápido em uma grande loja de material esportivo. Como não vendia nada, os estoques estavam pequenos. Foi um Deus nos acuda para encomendar o atual modelo, com aquela gola feiosa. Começamos a entrar na Copa bem devagar. Acho que estávamos naquele suspense do que poderia acontecer, antevendo vexames, greves, black blocks e passeatas causando caos urbano e fracasso total do evento. Hoje as vendas de camisetas estão bombando. O fracasso tem sido relativo, e tolerável, então as pessoas vão se animando. Eu, pessoalmente, tenho me retorcido de vergonha em várias ocasiões. A Cerimônia de Abertura foi de provocar náuseas. A Festa Junina da escolinha da minha sobrinha foi bem melhor. Se as nossas tragédias terminam em Carnaval, a Abertura da Copa terminou em tragédia. Que lixo, que pobreza franciscana de imaginação e coreografias. Sobretudo, que coisinha feita sem capricho. As tribunas dos convidados internacionais ficaram vazias até a hora do jogo. Soube-se depois que estavam perdidos pelo estádio, tentando achar os seus lugares, ou encontrá-los mediunicamente, já que não tinha sinalização interna no estádio. A internet não funcionou e a imprensa se comunicava por celular. As luzes de parte do estádio se apagaram no Primeiro Tempo e eu fiquei mais preocupado com isso do que com o gol contra do Marcelo. Só faltava parar o jogo por falta de iluminação. Na Arena das Dunas, choveu mais no público do que no campo, pelas inúmeras goteiras não consertadas a tempo. Na Fonte Nova, acabou a comida e a bebida.
Falar sobre esses vexames, essas falhas lamentáveis, pode ser classificado de antipatriótico. Lula, sempre ele, classificou os xingamentos da torcida à presidente Dilma (que eu também não endosso) de uma reação da “elite branca”, obesa e reacionária, contra o governo imaculado do PT.
Nossa velha comiseração tudo perdoa, já que somos um país de gente afetiva, acolhedora e alegre. Os gringos se deliciam com essa alegria, e há um esforço coletivo de receber bem essas pessoas, de apagar essas falhas de organização com nossa pegada festeira. Lula, em mais um surto de sinceridade etílica, falou em entrevista que levar o metrô até dentro do estádio é uma babaquice. Brasileiro vai a pé e de jumento, disse o nosso ex (?) presidente.
Nossa tragédia cotidiana está assentada nessa indulgência frouxa, nessa capacidade de batucar, sorrir e rebolar a bunda para os buanas enquanto cometemos erros grosseiros em todos os setores de nosso país, que caminha aos passos largos para um apagão de infraestrutura e estagnação econômica. Espero que a Copa engrene e que as presepadas se tornem menos visíveis. Mas o bom mesmo é essa Copa terminar rápido e podermos voltar para o trabalho, pois esse país tem muita gente que trabalha e que merece descer de metrô, e não de jumento, nos estádios construídos e superfaturados com dinheiro público.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Jacaré, Dunga e Copa do Mundo
Há umas semanas atrás eu escrevi um texto bombardeando Ricardo Gomes, o afável, provando por A mais B que Ricardo era um perdedor vocacional, dando sequência à sua carreira de derrotas no São Paulo. Não é que depois disso o time engrenou e logo terei que escrever sobre Ricardo, o astuto? Vou aproveitar o embalo para atacar o Dunga e bancar o Urubulino como Sócrates, que escreveu em seu blog que o Brasil não passa da primeira fase. Menos, doutor, tira a cerveja da frente do computador. Acho que até as oitavas a gente vai.
Essa Copa me lembra de meus áureos tempos de judoca, nos idos dos anos setenta. Eu era louco por futebol, então naturalmente a minha mãe me colocou no judô para aprender a cair, no basquete para crescer e na música para aprender a tocar piano. Futebol que é bom, só no quintal do prédio. Obviamente um judoca medíocre, finalmente cheguei a uma final no campeonato interno do Tênis Clube Paulista contra o temível Jacaré, assim aucunhado porque rastejava nas corridas no tatame como um crocodilo em busca da presa. Jacaré era tudo o que o Sensei conhecia sobre répteis, então Jacaré ficou. Quando fui enfrentá-lo, pude ver o sorriso de Maradona no seu canto de boca, como se ele tivesse o Messi em seu time e eu o Júlio Batista. Lutei na retranca. Evitei ao máximo o Judô-Arte do Jacaré e me dediquei ao Judô de Resultados (não sabia que aos dez anos era um precursor do Dunga), travando a luta e fingindo atacar, até que uma hora sabe Deus como consegui desequilibrar o Jacaré, ele caiu e muito irritado deu um pulo do chão para ficar em pé, como um ginasta olímpico. Só que ele me acertou no rosto, e eu, boleiro frustrado, levei a mão à mandíbula e caí gemendo, só faltou cair rolando dentro da área. O Sensei entrou na minha, parou a luta e deu uma punição ao Jacaré. Daí até o fim foi só fechar o ferrolho como uma Suiça e correr para o abraço emocionado dos amigos, que não gostavam muito do Jacaré. Ganhei de meio a zero, Jacaré foi embora grunhindo e sacudindo o rabo.
Essa pequena e singela lembrança me ocorreu para falar da Copa do Mundo. A primeira rodada foi um porre. O Futebol virou uma luta de Judô: o melhor ataque é o contra-ataque. O lutador aproveita a energia do outro que ataca para contragolpear e ganhar a luta. Então é aquele tal de time ficar fazendo bolinha na frente da área para de vez em nunca resolver dar um chute.É um tal de zero a zero e de um a zero a torto e direito. Dunga não foge à mediocridade. Não podemos dar o contra-ataque de bandeja, então ficamos esperando um lampejo de alguém que invente, como o Maicon inventou, um golzinho sem ângulo. Dunga montou o time como eu na final do judô. Só que ele é o Jacaré. Ele tem um belo e temido time ao seu lado. Não precisa fingir que está atacando. Pode ter um pouco de coragem, como o Maradona, por exemplo, que não entende nada de futebol de alto nível, então bota a Argentina para atacar.
Essa Copa me lembra de meus áureos tempos de judoca, nos idos dos anos setenta. Eu era louco por futebol, então naturalmente a minha mãe me colocou no judô para aprender a cair, no basquete para crescer e na música para aprender a tocar piano. Futebol que é bom, só no quintal do prédio. Obviamente um judoca medíocre, finalmente cheguei a uma final no campeonato interno do Tênis Clube Paulista contra o temível Jacaré, assim aucunhado porque rastejava nas corridas no tatame como um crocodilo em busca da presa. Jacaré era tudo o que o Sensei conhecia sobre répteis, então Jacaré ficou. Quando fui enfrentá-lo, pude ver o sorriso de Maradona no seu canto de boca, como se ele tivesse o Messi em seu time e eu o Júlio Batista. Lutei na retranca. Evitei ao máximo o Judô-Arte do Jacaré e me dediquei ao Judô de Resultados (não sabia que aos dez anos era um precursor do Dunga), travando a luta e fingindo atacar, até que uma hora sabe Deus como consegui desequilibrar o Jacaré, ele caiu e muito irritado deu um pulo do chão para ficar em pé, como um ginasta olímpico. Só que ele me acertou no rosto, e eu, boleiro frustrado, levei a mão à mandíbula e caí gemendo, só faltou cair rolando dentro da área. O Sensei entrou na minha, parou a luta e deu uma punição ao Jacaré. Daí até o fim foi só fechar o ferrolho como uma Suiça e correr para o abraço emocionado dos amigos, que não gostavam muito do Jacaré. Ganhei de meio a zero, Jacaré foi embora grunhindo e sacudindo o rabo.
Essa pequena e singela lembrança me ocorreu para falar da Copa do Mundo. A primeira rodada foi um porre. O Futebol virou uma luta de Judô: o melhor ataque é o contra-ataque. O lutador aproveita a energia do outro que ataca para contragolpear e ganhar a luta. Então é aquele tal de time ficar fazendo bolinha na frente da área para de vez em nunca resolver dar um chute.É um tal de zero a zero e de um a zero a torto e direito. Dunga não foge à mediocridade. Não podemos dar o contra-ataque de bandeja, então ficamos esperando um lampejo de alguém que invente, como o Maicon inventou, um golzinho sem ângulo. Dunga montou o time como eu na final do judô. Só que ele é o Jacaré. Ele tem um belo e temido time ao seu lado. Não precisa fingir que está atacando. Pode ter um pouco de coragem, como o Maradona, por exemplo, que não entende nada de futebol de alto nível, então bota a Argentina para atacar.
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