Acho que neste post vou conseguir comprar muitas brigas: com militantes feministas, admiradores de Futebol Americano e fãs de cinema no Brasil. Não necessariamente nesta ordem.
Há uma palestra de uma terapeuta de casal e estudiosa das relações a dois, Esther Perel, em que ela faz uma deliciosa provocação, na minha opinião com um alvo certeiro: uma certa moral pós feminista. Esther fala de infidelidade conjugal com acidez e argúcia, e nas entrelinhas vai desenhando que não é uma pulada de cerca que vai obrigatoriamente encerrar uma história de amor. Ela surpreende ao dizer que, hoje em dia, a vergonha é ficar. Hillary Clinton está se havendo com esse novo moralismo, com pós feministas se descabelando por ela não ter abandonado o marido safado, autor de traições e mentiras que comprometeram o país, a história e sua família. Como não abandoná-lo? A vergonha é perdoar, ou, na ausência do perdão, não abandonar o sacana. O Feminismo, neste ponto, exclui e tolhe o Feminino. Freud desistiu de entender, afinal, o que querem as mulheres? Eu posso sugerir sobre o que querem os homens... Querem mulheres que exerçam a feminilidade.
Não gosto particularmente de Futebol Americano. Parece um bom pretexto para marmanjos ficarem de agarro. Sem falar dos uniformes colantes e das ombreiras. Macheza quando é muita acaba dando a volta e virando outra coisa. Mas tudo bem. Já cutuquei as feministas, agora os gorilas do Football.
Adoro o “Football Movie” “A Grande Escolha”. Cuidado para não confundir com “A Grande Aposta” filme atual e oscarizável. Nunca duvide da falta de imaginação dos títulos de filmes em Português. “A Grande Escolha” é um filme sobre o Draft Day do Futebol Americano, onde os times profissionais vão escolher novos atletas para a temporada, geralmente egressos dos times universitários. O filme é sobre o manager do Cleveland Browns, Sonny Weaver Jr, que é o cara que vai fazer as escolhas e as trocas de jogadores e de tudo o que se pode imaginar. Para quem não é acostumado com o esporte e o Draft, é um filme quase incompreensível. É melhor assistir um filme iraniano.
Pois o filme é bem legal e fala, basicamente, de um homem dividido entre as suas intuições profundas e as opiniões enlouquecidas de torcida, presidente, técnico e até de sua mãe. Mas tem alguém que se destaca nesta bagunça: a namorada do manager, que começa o dia contando para ele que está grávida, mas compreende sua reação sem graça no dia do Draft. Se as meninas, e as feministas, quiserem saber o que querem os homens, prestem atenção na namorada de Sonny, Ali. Está tudo lá. Ela é a escuta profunda, que entende quando o seu homem fraqueja, e erra, mas sobretudo, acredita o tempo todo em sua intuição e astúcia. Ela sabe que ele pode inventar um jeito paradoxal de sair do buraco que ele próprio cavou.
Ali, que é interpretada com segurança e delicadeza por Jennifer Garner, tem uma beleza pouco óbvia, é suave, delicada e, sobretudo, absolutamente atenta ao homem que ama, ajudando em sua travessia e entendendo, ao contrário de sua mãe mocréia, tudo o que se passa com ele no dia mais difícil do ano. Ela é a personificação da Anima de Sonny, o Feminino que acolhe, regenera e mostra as linhas tortas que levam o homem a encontrar o seu caminho. E, além de tudo, gosta e entende de Futebol. Só no cinema, mesmo.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
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