Certa vez ouvi Casagrande comentar em entrevista que jogar contra o Flamengo de Zico era uma arte. O Corinthians da época, início dos anos 80, era também forte, mas faziam um pacto de levar o jogo na maciota e, comentário dos mais engraçados, era importante NÂO fazer um gol no Flamengo no começo do jogo. “A ordem era levar o jogo em Banho Maria, para não acordar os caras...”, conta Casão bem humorado. “Se fizesse um gol eles acordavam e vinham para cima... Aí ninguém segurava”. Reza a lenda que uma ordem parecida era dada aos adversários do Chicago Bulls nos tempos de Michael Jordan: todos eram proibidos de dar entrevistas provocando o cara ou dizendo que ele estava velho. Sobretudo, era proibido fazer alusões à sua idade. Michael Jordan, como o Flamengo de Zico, se inflamava quando provocado e conseguia transformar a raiva em concentração, mas uma concentração inflamada pela raiva que fazia o seu desempenho se ampliar. Teve um gaiato que quase apanhou do time porque provocou o homem e levou 45 pontos no placar feitos por Michael Jordan, sem contar desarmes e assistências. A raiva o tornava um monstro.
A Neurociência está começando a distinguir reações diferentes diante do estresse. A diferença principal entre elas é a utilização da reação do estresse como Desafio, Raiva Explosiva ou Paralisia. Não há dúvidas que as pessoas estão mais acostumadas a ativar a reação de medo ou raiva do que de enfrentamento divertido.
O São Paulo, do chato Rogério Ceni, por exemplo. É um time todo cheio de deslocamentos e concepções táticas que Rogério passou muito tempo aprendendo como jogador e treinador aprendiz. Mas suas invenções de Professor Pardal logo desmoronam na primeira bola que entra no gol do São Paulo. O time continua moderno, bacana, tático, mas não consegue ter a reação adrenérgica de Desafio, que é abrir os Brônquios, fazer o Coração bombear o sangue com mais força ou encher os músculos de sangue com a certeza de que vai conseguir virar o resultado. O São Paulo é o contrário do Flamengo de Zico: quando toma um gol, é ativada a Reação de Medo, o time perde a alegria e não consegue acreditar na vitória.
Foi feito um estudo de resposta ao Estresse em que dois grupos de alunos foram testados em períodos de provas finais. Um dos grupos recebeu a orientação de que a Reação de Estresse era boa para a performance porque aguçava o raciocínio e levava mais sangue para o Cérebro. O outro grupo não recebeu nenhuma orientação a respeito e foi só mandado para a prova. O primeiro grupo teve uma resposta significativamente melhor quando foi orientado indiretamente a transformar o medo em reação de desafio e enfrentamento. Essa reação transforma o medo em uma tensão divertida, que pode provocar um prazer de enfrentar e passar por cima da dificuldade (ou do adversário). Já a reação de medo de perder, que causa uma contrição de energia, cria uma situação inversa: tudo dá errado e o que se teme mais acaba acontecendo.
É curioso que tanta gente chegue para tratamento de doenças relacionadas ao estresse, sobretudo estresse profissional, onde os gestores não tem a menor noção de um saber tão óbvio e intuitivo: um ambiente de trabalho de desafio e apoio mútuo é muito mais produtivo que nossos correspondentes modernos de navios negreiros, onde as pessoas são massacradas com metas inalcançáveis e chicotes de cobranças e berros da gerência. Diga-se também que os funcionários que se entregam à uma moleza reclamona e medrosa também são grandes candidatos à fila de desemprego. A reação mais comum é o medo, que é evolutivamente mais antiga do que transformar o medo em excitação/combate. Mas é muito importante propagar o saber, agora cientificamente comprovado, que é sempre melhor se divertir pelejando do que se esconder no banheiro. Como dizia o Capitão Rodrigo de Erico Veríssimo: “Não está morto quem peleia”
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sábado, 10 de junho de 2017
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