Em nossos tempos de divórcio entre Ciência e Religião, com a primeira substituindo a última como portadora da Verdade, mesmo que uma verdade móvel e não definitiva, pode parecer um sacrilégio para a nova Inquisição falar do Novo Testamento. Questiona-se a existência histórica de um pregador que viveu na Galiléia há mais de vinte séculos, que pregava o amor, a experiência direta da Divindade ("Eu e meu Pai somos Um") e realizava frequentemente curas milagrosas usando a própria voz, o toque da mão ou misturas singelas como a própria saliva e um punhado da terra arenosa da região. Uma fala sempre se repetia após essas curas : "A tua fé te curou". Isso quer dizer que, não importa a capacidade energética do curador, se o curado não dá passagem a essa energia, a cura é quase impossível (como ficou demonstrado quando esse rabino de nome Jesus não conseguiu curar ninguém em sua terra natal, Nazaré, pois ninguém acreditou que o filho do carpinteiro pudesse curar alguém ).
Não é fato raro na crôncia hospitalar as curas espontâneas, as melhoras inexplicáveis de alguns casos, a participação de fatores extra tratamento médico levando pacientes a uma melhor ou pior evolução. Dentre esses acontecimentos que virtualmente optamos por ignorar todo dia (Uma atitude de muita iluminação: "Se eu não posso explicar então não existe")é o Efeito Placebo. Estudos vivem por contornar o famigerado efeito Placebo e sabe por que? O efeito Placebo representa a ativação de um processo natural de reparação de nosso organismo, ativado por nosso sistema de crenças. Não queremos saber disso, só do efeito de nossas balinhas mágicas. Ativar defesas naturais, baseadas em nossa fé? Que horror!
O efeito Placebo pode ser usado melhor em nossa prática: se existe a crença na medicação e no curador que a está administrando, o resultado tende, quase sempre a ser melhor do que a descrença. Eu costumava dizer em aulas que os médicos deveriam sair da faculdade com um zíper na boca, para tomar muito cuidado com as palavras, sobretudo com as frases supostamente "realistas" que tiram do paciente toda esperança. A esperança pode curar e ficamos corados de tentar interferir na relação do paciente e sua crença no tratamento. Podemos ser defensivamente "realistas" ou pessimistas, esvaziando a esperança que pode ativar defesas orgânicas invisíveis, inexplicáveis pela nossa Ciência "Objetiva". Posso recomendar aos leitores: se precisar de ajuda, prefira os otimistas aos pessimistas. E não hesite em querer o que parece improvável.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010
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