Engraçado que estava com dificuldade de encontrar o último post, A Palestra, postado há dois dias. Achei agora.
Não vou falar do evento nesse post. Já temos as inscrições e o mesmo não será mais cancelado, o que era um receio. Aceitamos sugestões de temas para os próximas palestras. Ainda temos algumas vagas de qualquer forma. Informações no post anterior.
Ontem eu falava de mais um trecho do filme "Comer, Rezar e Amar", durante uma consulta. Lembrava de uma cena muito bonita. Engraçado que parece pelos meus comentários que eu gostei muito do filme, o que nem foi muito o caso. Achei o filme legal, mas evidentemente aquém do livro, que não li. O livro fala da jornada interior de uma escritora, Liz, em profunda crise existencial. Resolve viajar sozinha pelo mundo, em busca de si mesma. A parte de Comer ela faz na Itália, a parte do Rezar na Índia e a do Amar, em Bali, com o Javier Bardem, que é bonitão mas não poderia fazer papel de brasileiro. Rodrigo Santoro cairia melhor no papel, mas esse não é o assunto do post. Na Itália, Liz conhece por acaso uma moça, uma sueca namorada de um italiano, o que é uma ponte para conhecer uma italianada engraçada. Falei desse grupo em outro post. A cena que me interessa é quando ela está em uma pizzaria napolitana, com essa amiga, preparando a primeira mordida numa pizza maravilhosa, quando percebe a loirinha petrificada diante da sua pizza de mussarela. O que está havendo? - pergunta, a amiga responde que está com medo de comer aquilo, pois já tinha engordado 5 kg desde a chegada na Itália. Liz, a personagem de Júlia Roberts, olha para ela com muita ternura e responde: "Você sabe, quando a gente tira a roupa o homem olha com aquela cara de felicidade ... Ele olha, ganhou na loteria, está tudo bom. Ele não fica olhando se você tem um dedo a mais ou a menos de barriga. Então come a pizza e depois a gente sai para comprar uns jeans novos (e maiores). Depois você emagrece, criatura!". Eu gostei muito da descrição, porque é isso mesmo. Quando a mulher revela a sua nudez, o homem a vê com olhos de menino abrindo presentes no dia de Natal. Que sensação.
Uma dica para as portadoras de Transtorno Obsessivo Amoroso: se nessa hora o cara desviar o olhar, ou pegar o vestido para ver se fica bem no espelho, ele muito provavelmente não é bom candidato a namorado. A culpa é do candidato, não sua. Pare de culpar as pizzas, a roupa, os quilinhos a mais. Na hora H, é obrigatório que o nosso candidato olhe com a cara de um menino maravilhado olhando um Sundae de três andares (dependendo do ângulo, dois). Não se contente com menos. Ou marque a sua passagem para Bali nas próximas férias.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Anorexia, Vigorexia, Transtorno Dismórfico: Patologias de Imagem?
Há um livro de que gosto muito, "Superfreakonomics", onde os autores descrevem várias curiosidades do mundo dos Economistas e como eles tentam entender o mundo através de estatísticas e algoritmos matemáticos/computacionais. Em dois capítulos diferentes eles discutem os malefícios e os benefícios da Televisão na sociedade humana. Primeiramente, um dado estarrecedor: a chegada da TV em diferentes pontos do país, no caso, Os Estados Unidos, a partir dos anos 50, fez disparar os índices de violência e criminalidade nos estados onde os programas de TV e a venda de aparelhos foi mais significativa. Isso numa época em que as crianças podiam ligar os aparelhos sem dezenas de opções de tiros, corpos mutilados e zumbis sanguinários devorando gente. Esse aumento da criminalidade muito provavelmente não se deu pela força sugestiva das imagens, mas pelo aguçamento do desejo de consumo gerado pelas imagens da propaganda e do merchandasing nascentes. Compre, compre, compre. Queira, queira, queira. No auge da Crise Mundial de 2009 Lula pedia à classe média para continuar comprando. Essa é a nova utopia humana: comprem, consumam, devorem.
Voltando ao início de nossas postagens sobre o Transtorno Dismórfico Corporal, você tem um Ser definido pelo o seu Fazer e o seu Ter. Eu Tenho, logo Existo. A sociedade de Hipermídia passa a tornar vital a todos um bom lustro em nossas Personas: qual a nossa aparência, que carro dirigimos, em que revistas aparecemos. Temos uma fração de eleitos sorrindo na Revista Caras, definindo um padrão: Seja Rico e Bonito ou Pereça Socialmente. O Inferno é o Exclusão.
As meninas chegando à adolescência passam a serem pressionadas por padrões de beleza inatingível, sobretudo pela magreza e a perfeição de formas. É nessa fase, aliás em idades cada vez mais tenras, que os consultórios começam a atender pré adolescentes aterrorizados com a própria Imagem. Mas as patologias de Imagem não se restringem a essas faixas etárias. Transtornos Alimentares, como Anorexia e Bulimia, dependem quase exclusivamente da preocupação obsessiva coma própria imagem e da aceitação pelo grupo. Atendi recentemente uma moça que ficou bem perto de um ato suicida bem planejado pelo nível de assédio e perseguição que sofria na escola por ser gorda e feia, em suas próprias palavras. A escolha de sua carreira e de vida pessoal foi profundamente afetada por essa vivência. Observamos também outras patologias de Imagem, nos casos de Vigorexia, ainda uma doenças não classificada pela Psiquiatria, mas cujo número de casos vai se tornando cada vez mais frequente gerando outro abuso, o de medicamentos anabolizantes. O quadro pode começar de forma tão branda quanto o de uma menina que começa a noter o seu nariz um pouco torto, até isso virar uma preocupação torturante e pervasiva em todo o seu dia. Uma inocente busca de melhor forma física em nossas academias pode deflagrar uma mudança profunda no comportamento dos Vigoréticos, que passam a ser parte de uma tribo de marombados, sempre preocupados com suplementos e massa magra para exibir os músculos e forma física em nosso mercado de Personas até começarem as lesões por estresse ou por supersolicitação de músculos entre halteres e aparelhos sofisticados.
Não visamos abolir a Televisão nem a Internet, o que só seria possível em uma comunidade Amish americana ou em algum lugar no interior do Sudão, mas criar um foco de consciência nas pessoas. Nem vamos negar os profundos benefícios de se cultivar a beleza e a autoestima para todos. Vamos democratizar a beleza e o bem estar, claro. A nossa questão é que os filhos e os pais estão sendo continuamente pressionados a serem cada vez mais compulsivos. Para o cirurgião plástico e o psiquiatra, isso é bom motivo para manter a independência e o espírito crítico na hora de diagnosticar e indicar tratamentos. A virtude, como nos tempos dos gregos, continua na justa medida, o que é bom e previne compulsões.
Voltando ao início de nossas postagens sobre o Transtorno Dismórfico Corporal, você tem um Ser definido pelo o seu Fazer e o seu Ter. Eu Tenho, logo Existo. A sociedade de Hipermídia passa a tornar vital a todos um bom lustro em nossas Personas: qual a nossa aparência, que carro dirigimos, em que revistas aparecemos. Temos uma fração de eleitos sorrindo na Revista Caras, definindo um padrão: Seja Rico e Bonito ou Pereça Socialmente. O Inferno é o Exclusão.
As meninas chegando à adolescência passam a serem pressionadas por padrões de beleza inatingível, sobretudo pela magreza e a perfeição de formas. É nessa fase, aliás em idades cada vez mais tenras, que os consultórios começam a atender pré adolescentes aterrorizados com a própria Imagem. Mas as patologias de Imagem não se restringem a essas faixas etárias. Transtornos Alimentares, como Anorexia e Bulimia, dependem quase exclusivamente da preocupação obsessiva coma própria imagem e da aceitação pelo grupo. Atendi recentemente uma moça que ficou bem perto de um ato suicida bem planejado pelo nível de assédio e perseguição que sofria na escola por ser gorda e feia, em suas próprias palavras. A escolha de sua carreira e de vida pessoal foi profundamente afetada por essa vivência. Observamos também outras patologias de Imagem, nos casos de Vigorexia, ainda uma doenças não classificada pela Psiquiatria, mas cujo número de casos vai se tornando cada vez mais frequente gerando outro abuso, o de medicamentos anabolizantes. O quadro pode começar de forma tão branda quanto o de uma menina que começa a noter o seu nariz um pouco torto, até isso virar uma preocupação torturante e pervasiva em todo o seu dia. Uma inocente busca de melhor forma física em nossas academias pode deflagrar uma mudança profunda no comportamento dos Vigoréticos, que passam a ser parte de uma tribo de marombados, sempre preocupados com suplementos e massa magra para exibir os músculos e forma física em nosso mercado de Personas até começarem as lesões por estresse ou por supersolicitação de músculos entre halteres e aparelhos sofisticados.
Não visamos abolir a Televisão nem a Internet, o que só seria possível em uma comunidade Amish americana ou em algum lugar no interior do Sudão, mas criar um foco de consciência nas pessoas. Nem vamos negar os profundos benefícios de se cultivar a beleza e a autoestima para todos. Vamos democratizar a beleza e o bem estar, claro. A nossa questão é que os filhos e os pais estão sendo continuamente pressionados a serem cada vez mais compulsivos. Para o cirurgião plástico e o psiquiatra, isso é bom motivo para manter a independência e o espírito crítico na hora de diagnosticar e indicar tratamentos. A virtude, como nos tempos dos gregos, continua na justa medida, o que é bom e previne compulsões.
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