O livro “Psicologia Quântica” de Robert A, Wilson conta a parábola de um estudante do Zen que caiu na besteira de ler o livro “O Processo” de Kafka, onde havia uma pequena história dentro desse livro angustiante, que eu vou resumir aqui: “ Um homem chega à Porta da Lei, em busca de acesso. O guarda diz que, se esperar pelo tempo suficiente poderia, num futuro incerto, passar pelo portal. O homem espera e, nessa espera, vai envelhecendo. Tenta subornar o guarda, que aceita o seu dinheiro para que “não perca as esperanças”. Finalmente, ele fica velho e se pergunta por qual motivo só ele aguardava junto ao portal. O guarda lhe diz que aquela porta foi feita só para aquele senhor,que está muito velho para entrar por ela. E, agora, a porta vai se fechar para sempre. Ela se bate e o homem morre”. O estudante zen fica obcecado por essa parábola. Não consegue mais meditar nem pensar em nada. Finalmente, vai ao seu mestre e pede ajuda para entendê-la. O mestre aceita alegremente a tarefa, mas convida o aluno para entrar na sala de meditação. Ele acompanha o mestre, que, ao entrar na sala, bate a porta na sua cara. Ele experimenta o Despertar”.
Quem já estava perdido na primeira parte deve ter ficado pior com um Despertar que se dá quando alguém bate a porta na sua cara. Essas duas parábolas podem ter todo tipo de interpretação, inclusive a melhor de todas, que é não ter nenhuma interpretação. Eu converto as histórias em filme e fico apreciando as duas em sua fantástica ironia e espera, sem tentar nenhuma interpretose, essa doença dos analistas ou da mente analítica. No limite, as duas historietas indicam a insuficiência da mente analítica para decifrar a Verdade que se esconde dos controles do Ego. Mas como não pretendo nenhuma leitura definitiva, posso dar a minha, que não vai machucar ninguém.
A porta batendo na cara do aluno é uma passagem bem bonita. Representa a ausência de resposta como uma resposta profunda. O mestre se recusa ao papel de Mestre e lança o aluno para dentro do Silêncio. E, no silêncio, ele se ilumina.
Não gostamos de Silêncio nem do Vazio. Para nossa mente ocidental, as coisas, as ideias, as filosofias devem ser examinadas, testadas, explicadas até que tudo tenha um como e um porque. Não gostamos de silêncios nem de paradoxos. O mestre lança o aluno para dentro desse Vazio, porque é o vazio que nos ampara. E o silêncio que produz as respostas, ou os caminhos. Procuramos no Outro a orientação, a sabedoria, a fórmula infalível de sucesso e do bem viver. Por isso temos tantos gurus, coachs, guias e experts para dizer como e quando. Não sabemos o como e muito menos o quando, mas somos ótimos engenheiros de obras prontas. Podemos escrever tratados sobre o que e onde deu errado, mas não antevemos nem uma coisa nem outra.
O homem na Porta da Lei representa nossa espera pela autorização do Outro. Talvez seja um resíduo de nossa experiência primordial nos ciclos parentais, onde o mundo é determinado e controlado pelo Outro. Podemos existir a partir desse Olhar, durante um longo período de nosso desenvolvimento. O homem espera na porta da Lei que o Outro finalmente o autorize, como uma criança olhando para os pais em busca de aprovação. Ele morre sem saber que a autorização só poderia partir de si mesmo.
Um bom terapeuta acompanha seu cliente na experiência do Vazio. Esse é um assunto sério. O Vazio é percebido como Absurdo e Não Sentido, e muita gente adoece e morre nessa travessia. Uma paciente há alguns anos me trouxe um sonho em que nadava no mar na direção de uma ilha, junto com um amigo de seus filhos. Depois de muito esforço, conseguiu completar a travessia. O menino, não. Na vida real, ela atravessou um duro período de Depressão. O amigo de seus filhos não conseguiu, o que seu Inconsciente percebeu que aconteceria.
Demora muito para entendermos que há uma ordem emergente no meio do Caos. O monge se ilumina porque percebe essa Ordem Profunda, quando para de tentar entender o que não se pode entender. Difícil é esperar no meio da Incerteza.
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domingo, 26 de junho de 2016
domingo, 30 de novembro de 2014
Psicologia Positiva e Nem Tanto
Como eu sou um tanto lento com tecnologias, internet e provavelmente serei o último a ter Facebook neste planeta, virei um fã tardio dos TEDs, que descobri que é uma sigla de Tecnologia, Entretenimento e Design. Assistindo a uma de suas aulas, me deparei com o tema da Psicologia Positiva. A explanação do colega era consistente e bacana, mas tive ímpetos de pular para o próximo TED que explicava como as pessoas ficam dependentes de uma seita. A Psicologia dita Positiva (não que as outras Psicologias sejam Negativas, suponho) questiona a ênfase excessiva da Psicologia na visão da Doença; as pessoas se sentem desconfortáveis na presença de Psis em geral (psiquiatras e psicólogas, por exemplo) porque imaginam que eles tem uma espécie de visão de Raio X que vai detectar todas as taras e as loucuras que escondemos em nosso íntimo. A Psicologia Positiva não teria em seu foco deixar as pessoas menos infelizes, nem caçar traumas ou loucuras, mas ajudar o ser humano em sua busca incessante pela Felicidade. Pois é aí, justamente, que a porca torce o rabo.
Nossa busca incessante pela Felicidade é uma fonte permanente de Infelicidade. Os homens esperam a Felicidade no volante de uma Ferrari, as mulheres buscam por um Príncipe tão Encantado quanto descolado e muitos lenços de papel são gastos nessa busca incessante. Nada é mais falso do que a ideia de que somos criadores de nossa realidade. Por outro lado, nada me parece mais verdadeiro. Uma afirmação que pode ser absolutamente errada ou certa, sem dúvida está na fronteira do paradoxo. O Paradoxo, senhoras e senhores, é exatamente o ponto onde navegam muitas das psicoterapias bem feitas. A felicidade como busca, ou como exercício, pode ser o tanto o caminho ou a cenoura que faz os burros puxarem a carroça do Capitalismo e da Cultura de Massa.
Estranhamente podemos acabar defendendo o direito de todo ser humano à sua própria Miséria. A vida é feita de Mistério, e o Mistério está por traz de muitas de nossas buscas, como o de Conhecimento, Justiça, Sabedoria, Iluminação Espiritual ou Paz de Espírito. Talvez o sofrimento intrínseco à nossa vida consciente seja também um direito. A busca incessante de prazer como fonte de Felicidade já foi contraindicada por muitos sábios e iluminados, mas a Psicologia Positiva não se opõe à busca de Prazer como fonte de Felicidade. Eu, particularmente, não me oponho à experiência prazerosa da vida ou da passagem do tempo. Passamos metade da vida com medo de viver e a outra metade com medo de morrer. Medo da passagem do tempo, medo do que ele nos reserva. Medo da felicidade, ou da infelicidade. O prazer não reduz o medo. Muitas vezes, aumenta o medo de ter e de perder.
A excessiva ênfase em nosso tempo das autos: autoestima, autodesenvolvimento, autoexpressão, autoajuda e quantas autos quisermos acrescentar, não vem trazendo muita felicidade para quase ninguém, com exceção do autores de autoajuda. Nosso corpo, nossa psique, nossa felicidade é um reflexo do que fazemos com nossa vida e nossa Psique. Nossa tarefa é equilibrar saúde mental, econômica, afetiva, física e espiritual em apenas uma encarnação. Felicidade é um efeito colateral desta construção. Uma Psicologia que se entende como Positiva é a que ajuda o Sujeito não apenas a buscar, mas antes entender o equilíbrio delicado de todas essas saúdes. A Felicidade é uma vivência construída interna e externamente. Como já escrevi em outros posts, é afinar o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro (como a música já cantava).
Nossa busca incessante pela Felicidade é uma fonte permanente de Infelicidade. Os homens esperam a Felicidade no volante de uma Ferrari, as mulheres buscam por um Príncipe tão Encantado quanto descolado e muitos lenços de papel são gastos nessa busca incessante. Nada é mais falso do que a ideia de que somos criadores de nossa realidade. Por outro lado, nada me parece mais verdadeiro. Uma afirmação que pode ser absolutamente errada ou certa, sem dúvida está na fronteira do paradoxo. O Paradoxo, senhoras e senhores, é exatamente o ponto onde navegam muitas das psicoterapias bem feitas. A felicidade como busca, ou como exercício, pode ser o tanto o caminho ou a cenoura que faz os burros puxarem a carroça do Capitalismo e da Cultura de Massa.
Estranhamente podemos acabar defendendo o direito de todo ser humano à sua própria Miséria. A vida é feita de Mistério, e o Mistério está por traz de muitas de nossas buscas, como o de Conhecimento, Justiça, Sabedoria, Iluminação Espiritual ou Paz de Espírito. Talvez o sofrimento intrínseco à nossa vida consciente seja também um direito. A busca incessante de prazer como fonte de Felicidade já foi contraindicada por muitos sábios e iluminados, mas a Psicologia Positiva não se opõe à busca de Prazer como fonte de Felicidade. Eu, particularmente, não me oponho à experiência prazerosa da vida ou da passagem do tempo. Passamos metade da vida com medo de viver e a outra metade com medo de morrer. Medo da passagem do tempo, medo do que ele nos reserva. Medo da felicidade, ou da infelicidade. O prazer não reduz o medo. Muitas vezes, aumenta o medo de ter e de perder.
A excessiva ênfase em nosso tempo das autos: autoestima, autodesenvolvimento, autoexpressão, autoajuda e quantas autos quisermos acrescentar, não vem trazendo muita felicidade para quase ninguém, com exceção do autores de autoajuda. Nosso corpo, nossa psique, nossa felicidade é um reflexo do que fazemos com nossa vida e nossa Psique. Nossa tarefa é equilibrar saúde mental, econômica, afetiva, física e espiritual em apenas uma encarnação. Felicidade é um efeito colateral desta construção. Uma Psicologia que se entende como Positiva é a que ajuda o Sujeito não apenas a buscar, mas antes entender o equilíbrio delicado de todas essas saúdes. A Felicidade é uma vivência construída interna e externamente. Como já escrevi em outros posts, é afinar o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro (como a música já cantava).
domingo, 13 de outubro de 2013
Cada Vida, Um Mistério
Campbell disse em uma de suas inúmeras entrevistas que os personagens da Mitologia estavam naquele exato momento em alguma estação de metrô, esperando o próximo vagão. Isso quer dizer que todos nós, sem excessão, vivemos dentro de histórias, de mitologias pessoais, como os personagens das velhas epopeias.
As pessoas em sua maioria, terapeutas inclusive, costumam achar que as velhas histórias da Mitologia não passam de histórias da Carochinha, feitas na aurora dos tempos, quando não havia TV a Cabo e os homens se divertiam inventando lorotas em torno da fogueira. Outro dia estava vendo o documentário sobre os seis títulos brasileiros do São Paulo, o “Soberano”. Careca descreveu o épico gol de empate na prorrogação contra o Guarani, na final do Brasileiro de 86. Para ele, Pita subiu no terceiro andar e desviou a bola epicamente, ela quicou na entrada da pequena área, ele encheu o pé como se não houvesse medo nem amanhã, levando a decisão para os pênaltis, vencida pelo tricolor. Wagner Basílio, um dos piores beques que já vestiram o manto sagrado tricolor, participou diretamente da vitória: foi ele que deu o chutão que acabou na cabeça de Pita e no chutaço de Careca. Mas não é dele que vou falar. Vendo o documentário, posso afirmar que esse Pita que subiu no terceiro andar e deu um passe magistral só existe na mitologia pessoal do grande Careca. Pita subiu todo torto, mal raspou a cabeça na bola e os deuses do futebol, que naquela noite sorriam para o São Paulo, fizeram a bola cair bem ao feitio do gênio da camisa 9 ( se fosse o Luís Fabiano, já teria sido expulso ou estaria machucado, pois o rapaz é pouco afeito aos momentos em que o time precisa dele. e bactéria chamada Affinococcus acaba por acometê-lo. Mas essa é outra história).
Apesar do exagero da narrativa mitológica, como acima demonstrado, não há nenhuma vida que não seja percorrida, todo dia, pelos mitos. Tenho mencionado muito isso nos últimos posts. Sobretudo no tema da Jornada Arquetípica, a que começa com um pequeno evento, um erro, chamado por mim de Erro Fundamental, que arremessa o candidato a herói em seu caminho, em sua peregrinação por essa vida estranha. Uma das coisas que me ajuda a acordar e continuar atendendo, estudando, atendendo, estudando, é essa certeza de que cada vida tem o seu Mistério. Mesmo as vidas trágicas, ou malogradas, ou as pessoas que se agarram a seus medos para não se moverem em nenhuma direção, ainda assim, essa vida tem o seu Mistério e não cabe nem ao médico nem ao terapeuta julgar aonde esse mistério vai dar. O terapeuta deve, antes de mais nada, ser aquele que está ali e lá fica, mesmo quando a maioria das pessoas já teriam desistido ou saído correndo dali.
Uma moça tinha acabado de terminar um casamento que não deveria ter ocorrido. Uma menina mimada como tantas que existem por aí, pequenas ninfas perdidas pelo Facebook e Youtubes, vivendo na inconsciência patrocinada por seus pais cheios de grana mas mendicantes de ideias. Ela resolveu fazer uma cirurgia plástica para celebrar a nova fase de sua vida. O procedimento não deu certo, mudou seu rosto, ela detestou. Foi em outro cara, ficou pior. Em desespero, queria ir para a mesa de novo e aí a coisa ficou realmente complicada, porque os médicos começaram a farejar o perigo. Operar a moça de novo era sinônimo de encrenca. Fisioterapias, tratamentos estéticos, medicamentos e cremes, nada traria de volta o seu rosto antigo. Contei para ela do Erro Fundamental, da ganância do último saque que lançou Ulisses no mar e o fez atrasar em dez anos a sua volta para casa. Esse erro é terrível, as consequências, no caso dela, mais terríveis ainda, mas aquilo também seria uma oportunidade de aprender a esperar, a cuidar de sua saúde estética tanto quanto de sua saúde mental. Pela primeira vez na vida, ela teria a chance de iniciar uma jornada, pois quem tem um desejo, tem um caminho. Ela não teria o seu rosto antigo de volta, mas talvez encontrasse um rosto ainda mais bonito. Ela me olhou com descrença, prometeu pensar no que eu falei. A sua mãe ligou no dia seguinte cancelando o seu retorno. Ela nunca mais voltou e deve continuar a sua peregrinação de cirurgião em cirurgião, procurando pelo rosto que não existe. Ou que talvez nunca tenha existido. Cada vida, um Mistério.
As pessoas em sua maioria, terapeutas inclusive, costumam achar que as velhas histórias da Mitologia não passam de histórias da Carochinha, feitas na aurora dos tempos, quando não havia TV a Cabo e os homens se divertiam inventando lorotas em torno da fogueira. Outro dia estava vendo o documentário sobre os seis títulos brasileiros do São Paulo, o “Soberano”. Careca descreveu o épico gol de empate na prorrogação contra o Guarani, na final do Brasileiro de 86. Para ele, Pita subiu no terceiro andar e desviou a bola epicamente, ela quicou na entrada da pequena área, ele encheu o pé como se não houvesse medo nem amanhã, levando a decisão para os pênaltis, vencida pelo tricolor. Wagner Basílio, um dos piores beques que já vestiram o manto sagrado tricolor, participou diretamente da vitória: foi ele que deu o chutão que acabou na cabeça de Pita e no chutaço de Careca. Mas não é dele que vou falar. Vendo o documentário, posso afirmar que esse Pita que subiu no terceiro andar e deu um passe magistral só existe na mitologia pessoal do grande Careca. Pita subiu todo torto, mal raspou a cabeça na bola e os deuses do futebol, que naquela noite sorriam para o São Paulo, fizeram a bola cair bem ao feitio do gênio da camisa 9 ( se fosse o Luís Fabiano, já teria sido expulso ou estaria machucado, pois o rapaz é pouco afeito aos momentos em que o time precisa dele. e bactéria chamada Affinococcus acaba por acometê-lo. Mas essa é outra história).
Apesar do exagero da narrativa mitológica, como acima demonstrado, não há nenhuma vida que não seja percorrida, todo dia, pelos mitos. Tenho mencionado muito isso nos últimos posts. Sobretudo no tema da Jornada Arquetípica, a que começa com um pequeno evento, um erro, chamado por mim de Erro Fundamental, que arremessa o candidato a herói em seu caminho, em sua peregrinação por essa vida estranha. Uma das coisas que me ajuda a acordar e continuar atendendo, estudando, atendendo, estudando, é essa certeza de que cada vida tem o seu Mistério. Mesmo as vidas trágicas, ou malogradas, ou as pessoas que se agarram a seus medos para não se moverem em nenhuma direção, ainda assim, essa vida tem o seu Mistério e não cabe nem ao médico nem ao terapeuta julgar aonde esse mistério vai dar. O terapeuta deve, antes de mais nada, ser aquele que está ali e lá fica, mesmo quando a maioria das pessoas já teriam desistido ou saído correndo dali.
Uma moça tinha acabado de terminar um casamento que não deveria ter ocorrido. Uma menina mimada como tantas que existem por aí, pequenas ninfas perdidas pelo Facebook e Youtubes, vivendo na inconsciência patrocinada por seus pais cheios de grana mas mendicantes de ideias. Ela resolveu fazer uma cirurgia plástica para celebrar a nova fase de sua vida. O procedimento não deu certo, mudou seu rosto, ela detestou. Foi em outro cara, ficou pior. Em desespero, queria ir para a mesa de novo e aí a coisa ficou realmente complicada, porque os médicos começaram a farejar o perigo. Operar a moça de novo era sinônimo de encrenca. Fisioterapias, tratamentos estéticos, medicamentos e cremes, nada traria de volta o seu rosto antigo. Contei para ela do Erro Fundamental, da ganância do último saque que lançou Ulisses no mar e o fez atrasar em dez anos a sua volta para casa. Esse erro é terrível, as consequências, no caso dela, mais terríveis ainda, mas aquilo também seria uma oportunidade de aprender a esperar, a cuidar de sua saúde estética tanto quanto de sua saúde mental. Pela primeira vez na vida, ela teria a chance de iniciar uma jornada, pois quem tem um desejo, tem um caminho. Ela não teria o seu rosto antigo de volta, mas talvez encontrasse um rosto ainda mais bonito. Ela me olhou com descrença, prometeu pensar no que eu falei. A sua mãe ligou no dia seguinte cancelando o seu retorno. Ela nunca mais voltou e deve continuar a sua peregrinação de cirurgião em cirurgião, procurando pelo rosto que não existe. Ou que talvez nunca tenha existido. Cada vida, um Mistério.
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