Uma leitora desse blog e Coach aprendiz levantou uma questão: a relação entre Insegurança e Autoestima, sob uma perspectiva psicológica e não de autoajuda. Como não sei indicar nenhum livro ou artigo que fale diretamente sobre isso, então vou tentar fazê-lo nesse post. Não tem tu, vai tu mesmo, ou, no caso, vou eu mesmo.
Parece haver uma relação inversa entre a sensação de segurança e a capacidade de gostar de si mesmo. Mas podemos inverter a situação e olhar o lado escuro da Segurança e da Autoestima. Chego a usar nesse blog a expressão Geração Autoestima para me referir a um tipo específico de pessoa que cresceu com pais e professores muito interessados em sua autoestima e cansaram de ouvir o quanto eram especiais e únicos, mesmo sem nenhuma razão objetiva para se sentirem nem uma coisa, nem outra. Isso gera pessoas que se sentem naturalmente merecedoras de amor, entusiasmo e incentivo, e que ficam muito indignadas quando sua singularidade não é respeitada ou mesmo reconhecida. Do ponto de vista da segurança, são pessoas que aparentam muita confiança em suas infinitas possibilidades, desde que o Papai, ou o Patrão, ou o Estado, forneçam todos os recursos para a sua inata vocação à felicidade. Dar de cara com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, em que cada um vai ser tratado como uma peça substituível é um choque de realidade que derruba muita gente para sempre. Muitos ficam vagando pelo mundo, esperando que alguém finalmente reconheça a sua capacidade incrível e original (Alguns ficam mandando mensagens ao mundo em seus blogs dominicais). Muitos querem ser ouvidos e pouca gente está disponível para escutar. A Civilização Autoestima criou uma infinidade de mi mi mis a respeito de como o mundo não é como deveria ser e como a culpa é da Globalização ou do Neoliberalismo. Ou da Operação Lavajato.
Freud disse que uma das funções da Psicanálise era de adaptação e instalação da realidade na vida dos pacientes. Talvez por isso não seja muito popular até hoje. Realidade não é um prato que se come quente. Escapar da realidade com sonhos de uma vida incrível talvez seja uma droga pesada da modernidade. Transportar nossos sonhos para o mundo virtual parece mais seguro que pegar condução e aguentar chefes e clientes permanentemente surtados.
Essa é a primeira resposta para a pergunta da querida missivista virtual: a excessiva ênfase na Autoestima e na Segurança tem criado uma multidão de órfãos de reconhecimento e de segurança fornecida pelo suor de outro alguém. Como o tal Outro oferece as duas coisas e não entrega, então temos uma indústria de busca pela sonhada Segurança e a fundamental Autoestima. Interromper essa busca pode mesmo causar o colapso do Capitalismo.
Não podemos controlar o mar, mas podemos pegar um jacaré nas ondas. Segurança e Autoestima são construções diárias, que passam pelos testes mais duros e implacáveis da tal realidade. Tem duas palavras em inglês de difícil tradução: Relatedness e Connectedness, que adoro e se referem à capacidade, ou não, de estabelecer Relações e Conexões com o Eu, o Outro e o Mundo. Segurança é a capacidade de lidar com um mundo inseguro. A segurança é um estado interno, não pode ser fornecido por papais e mamães ou outras figuras substitutas. Autoestima é um derivado da capacidade de estabelecer relações e conexões. Geralmente alguém obcecado pela própria Autoestima é também alguém muito inseguro e que gosta pouco de si e do mundo.
Nesse mundo em que nossos instintos mais baixos são cutucados em todas as mídias, em que medo, insegurança, ódio e separação estão muito em moda e até elegendo Trumps e seus filhotes, criar estima é mais importante que autoestima e adaptação é mais importante que segurança. Para ambas as tarefas, é importante um coaching de capacidades de criar relações e conexões, começando com o nosso próprio mundo interno, que é onde começa tudo. Espero que a Claudia continue mandando perguntas depois desse post.
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domingo, 5 de fevereiro de 2017
domingo, 29 de novembro de 2015
Autoestima
Costumo dizer que Psicoterapia é tão fácil de fazer que até os terapeutas fazem. É claro que é uma piada. Como toda piada, com um fundo de verdade. Americanos estudam tudo e para tudo tem estatísticas. Fizeram um estudo com seiscentas pessoas que faziam psicoterapia, de todas os tipos, modelos cores e anos. Comparado com um grupo de pessoas que não faziam terapia, os terapeutizados demonstraram melhor índice de satisfação pessoal e capacidade de lidar com os próprios problemas. Isso contraria o senso comum que diz que para fazer terapia você precisa ser louco, ou problemático. Uma vez eu quase joguei uma supervisionanda da sacada porque ela afirmou que não sabia se levaria o filho para a terapia: "Não sei se ele precisa". Esse estudo confirma que a frase foi muito infeliz. Psicoterapia é no mínimo uma oportunidade de conhecimento de si, de sua história e da capacidade de escuta. Não é só a escuta do terapeuta que conta, mas o direito de se ouvir, de construir uma narrativa e poder escutar a própria voz dentro dessa narrativa. Isso cria insight, reflexão e,uma palavra que está muito na moda nas terapias cognitivas e que eu adoro, Modulação. Como estamos num mundo de desregulados, a capacidade de modular as respostas afetivas, emocionais e intelectuais é uma tarefa cada vez mais desenvolvida nas salas de terapia. Ou, pelo menos, deveria ser.
Escrevi há muito tempo sobre um sonho de Bel César, psicoterapeuta, budista entusiasta, e uma das pessoas que tenta uma aproximação entre a Psicoterapia e as práticas budistas. No sonho, ela estava condenada à morte e poderia fazer uma última declaração. Ela agradeceu às pessoas que haviam testemunhado a sua vida com compaixão. Não lembro a leitura que ela teve sobre o próprio sonho, mas lembro que fiquei arrepiado quando o li. Ele tocou numa verdade profunda da terapia, que é o Olhar do terapeuta, um olhar de testemunha compassiva. As pessoas pensam que compaixão é a capacidade de sentirmos pena, ou passar a mão na cabeça dos pacientes. Uma versão para disso é a fantasia que todo terapeuta deve tomar partido do paciente e melhorar a sua autoestima. Aí temos outra palavra espinhosa: autoestima. Já alfinetei muito a geração autoestima em outros posts, por isso vou me poupar neste. Mas vou abraçar temas mais difíceis, talvez: o que seria uma compaixão cabível e como uma terapia pode melhorar a autoestima?
Compaixão é, antes de mais nada, Atenção. Podemos olhar na rua, uma mãe com um bebê no colo, olhando para a tela do seu smartphone. Ou teclando enquanto dirige, com crianças no banco de trás. Ou no shopping, deixando a criança destruir a loja enquanto escolhe uma blusa. A Atenção é um artigo cada vez mais raro, talvez porque todos a disputem. Na sessão, o olhar do terapeuta é uma oferta de atenção. Compaixão começa por aí. Essa Atenção pode ser inédita nesse mundo de olhares cansados e voltados ao próprio umbigo.
Não é tarefa da terapia melhorar a autoestima do freguês. Não é tarefa tecer elogios nem tentar fazer o paciente tentar agradá-lo com os seus progressos. Autoestima é, antes de tudo, autoaceitação. Como Hillman disse, nossos problemas começam e terminam no Genesis. Já chegamos no mundo devendo: somos pecadores de cara e vamos pagar pelos pecados. Em algumas culturas, já chegamos com um carma coletivo para carregar nas costas. A psicoterapia permite visitar e compreender esses pecados que não cometemos, mas estamos sempre sendo acusados em nosso tribunal interno. Deveríamos ser mais magros, mais espertos, ter mais grana ou receber ajuda humanitária de algum senador do PT. Me ajuda, Delcídio. Antes da autoestima, temos o auto bullying. O terapeuta olha e trabalha encima do auto bullying. Já ajuda muito, antes de melhorar, parar de piorar as coisas.
Mas por que eu comecei este post brincando que é fácil ser terapeuta? Porque o simples exercício da escuta e do olhar atentos já permitem que a Psique comece a se organizar. Basta prestar Atenção e aceitar a realidade de nossa Imperfeição. Talvez nessa Imperfeição que esteja o verdadeiro brilho.
Escrevi há muito tempo sobre um sonho de Bel César, psicoterapeuta, budista entusiasta, e uma das pessoas que tenta uma aproximação entre a Psicoterapia e as práticas budistas. No sonho, ela estava condenada à morte e poderia fazer uma última declaração. Ela agradeceu às pessoas que haviam testemunhado a sua vida com compaixão. Não lembro a leitura que ela teve sobre o próprio sonho, mas lembro que fiquei arrepiado quando o li. Ele tocou numa verdade profunda da terapia, que é o Olhar do terapeuta, um olhar de testemunha compassiva. As pessoas pensam que compaixão é a capacidade de sentirmos pena, ou passar a mão na cabeça dos pacientes. Uma versão para disso é a fantasia que todo terapeuta deve tomar partido do paciente e melhorar a sua autoestima. Aí temos outra palavra espinhosa: autoestima. Já alfinetei muito a geração autoestima em outros posts, por isso vou me poupar neste. Mas vou abraçar temas mais difíceis, talvez: o que seria uma compaixão cabível e como uma terapia pode melhorar a autoestima?
Compaixão é, antes de mais nada, Atenção. Podemos olhar na rua, uma mãe com um bebê no colo, olhando para a tela do seu smartphone. Ou teclando enquanto dirige, com crianças no banco de trás. Ou no shopping, deixando a criança destruir a loja enquanto escolhe uma blusa. A Atenção é um artigo cada vez mais raro, talvez porque todos a disputem. Na sessão, o olhar do terapeuta é uma oferta de atenção. Compaixão começa por aí. Essa Atenção pode ser inédita nesse mundo de olhares cansados e voltados ao próprio umbigo.
Não é tarefa da terapia melhorar a autoestima do freguês. Não é tarefa tecer elogios nem tentar fazer o paciente tentar agradá-lo com os seus progressos. Autoestima é, antes de tudo, autoaceitação. Como Hillman disse, nossos problemas começam e terminam no Genesis. Já chegamos no mundo devendo: somos pecadores de cara e vamos pagar pelos pecados. Em algumas culturas, já chegamos com um carma coletivo para carregar nas costas. A psicoterapia permite visitar e compreender esses pecados que não cometemos, mas estamos sempre sendo acusados em nosso tribunal interno. Deveríamos ser mais magros, mais espertos, ter mais grana ou receber ajuda humanitária de algum senador do PT. Me ajuda, Delcídio. Antes da autoestima, temos o auto bullying. O terapeuta olha e trabalha encima do auto bullying. Já ajuda muito, antes de melhorar, parar de piorar as coisas.
Mas por que eu comecei este post brincando que é fácil ser terapeuta? Porque o simples exercício da escuta e do olhar atentos já permitem que a Psique comece a se organizar. Basta prestar Atenção e aceitar a realidade de nossa Imperfeição. Talvez nessa Imperfeição que esteja o verdadeiro brilho.
sábado, 20 de julho de 2013
Too Much Mind
Peço desculpas aos fiéis leitores dessas mal tecladas. Depois de minhas férias, tive uma semana daquelas e o resultado é um grande tempo sem posts nesse blog, que está ficando um pouco bissexto. Depois de mais de trezentos textos, ainda há muito o que se falar, embora às vezes bata uma preguiça ou fantasias de encerrar essa tribuna virtual. A maioria dos blogs morrem assim na blogosfera, ouvi numa entrevista no rádio. Vamos continuar alimentando este aqui, que teve e tem lá seus momentos melhores e piores, como tudo nessa vida.
Nesta semana bem bombada fui convidado a dar uma entrevista sobre uma pauta bem difícil: a necessidade, ou não, que temos que provar as coisas para as pessoas, para o Outro. Bola quadrada para psiquiatras: não há nenhum quadro clínico ou falha de neurotransmissão para discutir. Bola quadradérrima para psicoterapeutas: como tirar um protocolo de ação para essa questão? Sem mencionar o sotaque de Autoajuda, o que queima definitivamente o filme de qualquer um. Dá para viver sem querer provar nada para ninguém, como cantava Renato Russo? Somos testados todo dia e avaliados por pares, clientes, chefes, afetos e desafetos. Dr House zelava muito pela sua capacidade de se lixar para o que pensam dele. Isso valeu boas risadas aos expectadores da série, e socos, tiros, prisões e perseguições ao personagem principal, que realmente não era bom candidato a Mr Simpatia.
Vou citar nessa entrevista, se ela ocorrer, uma cena que eu gosto muito de um filme, que já devo ter citado em algum desses trezentos e muitos posts: é uma cena com um ator limitado, Tom Cruise, no filme melosão-que-eu-adoro “O Último Samurai”. Para quem não lembra, o filme conta a história de um coronel do exército americano, alcoólatra e traumatizado com as atrocidades de guerra, que é contratado para treinar o exército japonês. O objetivo era combater os samurais, obstáculos à modernização do Japão. O personagem de Tom Cruise cai prisioneiro dos samurais e passa um inverno nas montanhas geladas, aprendendo sua visão da vida e curando suas feridas. A cena a que eu me refiro é uma em que ele está treinando com um samurai que não vai muito com a sua cara. Simulam uma luta de espada com porretes longos. O americano leva um tremendo e inevitável cacete do japa. Quanto mais se esforça, mais acaba no chão, comendo uma humilhação empoeirada. Um jovem samurai se aproxima e observa qual é o seu problema: “Too much mind” Como assim? Você pensa demais, cara pálida. Pensa na técnica correta, na raiva do adversário, no medo de levar mais porrada, e sobretudo, se preocupa com os olhos risonhos de quem está assistindo. Ele entende rápido, como acontece no cinema, e já equilibra a luta com o samurai que fez aquilo a sua vida toda. Mas o princípio vale, e responde uma questão dessa entrevista: a questão não é ter ou não que provar algo para alguém. A questão é o peso que carregamos por esses infinitos pares de olhos que ficam nos olhando, pelo menos em nosso Imaginário. O que vão falar de mim? Como vão me julgar?
Uma prova de maturidade é estabelecer uma convicção sobre o que somos, tornando a opinião alheia menos importante com o tempo. Como no caso do aprendiz de samurai, sair do “too much mind” e prestar atenção a cada momento, a cada tarefa, esquecendo temporariamente desses pares de olhos que nos espreitam e suas vozes abafadas. Ter que provar alguma coisa, ou não, faz parte de nossas vidas. Todas as vidas. Mas o único jeito de manejar a espada com liberdade é se descolar das infinitas opiniões alheias. Mais uma vez, é mais fácil falar do que fazer.
Nesta semana bem bombada fui convidado a dar uma entrevista sobre uma pauta bem difícil: a necessidade, ou não, que temos que provar as coisas para as pessoas, para o Outro. Bola quadrada para psiquiatras: não há nenhum quadro clínico ou falha de neurotransmissão para discutir. Bola quadradérrima para psicoterapeutas: como tirar um protocolo de ação para essa questão? Sem mencionar o sotaque de Autoajuda, o que queima definitivamente o filme de qualquer um. Dá para viver sem querer provar nada para ninguém, como cantava Renato Russo? Somos testados todo dia e avaliados por pares, clientes, chefes, afetos e desafetos. Dr House zelava muito pela sua capacidade de se lixar para o que pensam dele. Isso valeu boas risadas aos expectadores da série, e socos, tiros, prisões e perseguições ao personagem principal, que realmente não era bom candidato a Mr Simpatia.
Vou citar nessa entrevista, se ela ocorrer, uma cena que eu gosto muito de um filme, que já devo ter citado em algum desses trezentos e muitos posts: é uma cena com um ator limitado, Tom Cruise, no filme melosão-que-eu-adoro “O Último Samurai”. Para quem não lembra, o filme conta a história de um coronel do exército americano, alcoólatra e traumatizado com as atrocidades de guerra, que é contratado para treinar o exército japonês. O objetivo era combater os samurais, obstáculos à modernização do Japão. O personagem de Tom Cruise cai prisioneiro dos samurais e passa um inverno nas montanhas geladas, aprendendo sua visão da vida e curando suas feridas. A cena a que eu me refiro é uma em que ele está treinando com um samurai que não vai muito com a sua cara. Simulam uma luta de espada com porretes longos. O americano leva um tremendo e inevitável cacete do japa. Quanto mais se esforça, mais acaba no chão, comendo uma humilhação empoeirada. Um jovem samurai se aproxima e observa qual é o seu problema: “Too much mind” Como assim? Você pensa demais, cara pálida. Pensa na técnica correta, na raiva do adversário, no medo de levar mais porrada, e sobretudo, se preocupa com os olhos risonhos de quem está assistindo. Ele entende rápido, como acontece no cinema, e já equilibra a luta com o samurai que fez aquilo a sua vida toda. Mas o princípio vale, e responde uma questão dessa entrevista: a questão não é ter ou não que provar algo para alguém. A questão é o peso que carregamos por esses infinitos pares de olhos que ficam nos olhando, pelo menos em nosso Imaginário. O que vão falar de mim? Como vão me julgar?
Uma prova de maturidade é estabelecer uma convicção sobre o que somos, tornando a opinião alheia menos importante com o tempo. Como no caso do aprendiz de samurai, sair do “too much mind” e prestar atenção a cada momento, a cada tarefa, esquecendo temporariamente desses pares de olhos que nos espreitam e suas vozes abafadas. Ter que provar alguma coisa, ou não, faz parte de nossas vidas. Todas as vidas. Mas o único jeito de manejar a espada com liberdade é se descolar das infinitas opiniões alheias. Mais uma vez, é mais fácil falar do que fazer.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Altro Estima
Sempre achei que a frase de Jesus, para amar o próximo como a si mesmo, fosse uma via de duas mãos. A sua capacidade de ser amoroso com o Outro é diretamente proporcional à sua capacidade de amar a si mesmo, como um próximo.
Não é comum, entretanto, nem gostar de si nem muito menos olhar no espelho e encontrar alguém com quem se queira alguma proximidade. Olhamos os sinais da idade e do tempo avançando, os quilos ganhos nas férias e depois de mais alguns anos tememos o que se vai encontrar no espelho. Compaixão e delicadeza não deveriam ser exercícios praticados apenas com o Outro, ou o Necessitado, ou o menos afortunado, como ensinam as vozes carolas e os guias do Politicamente Correto. Delicadeza e compaixão consigo deveria ser a primeira lição de casa. E vem com um pacote de benefícios para o Outro, sobretudo o de deixar de conviver com alguém falsamente bondoso, mas que fica esperando o tempo todo que uma fanfarra de anjos celebre a sua bondade, ou, no caso, a sua falsa bondade.
A tal da autoestima não é mandar beijocas para a sua imagem no espelho, nem se presentear com cervejas e caixas de bombons, nem marcar um jantar em um lugar bacana consigo mesmo. Autoestima é diretamente proporcional à sua Altro Estima, inclusive a capacidade de se tratar a si próprio como outro. E tratar esse outro, que sou eu mesmo, significa ter uma relação de respeito, delicadeza e compaixão atuante sobre a própria vida e o próprio ser. Essa é a condição inicial para podermos exercitar essas mesmas qualidades com os que nos cercam, ou os que estão longe.
A tal da autoestima proposta nos programas de variedades ensinam, de uma forma direta ou indireta, como inflar o próprio ego positiva ou negativamente. Pode parecer estranho, mas qualquer um pode parar e imaginar quantas pessoas conhecemos que glorificam o próprio Ego sendo as piores, mais fracassadas e mais infelizes pessoas do mundo. Socar o próprio peito gritando “mea culpa”, ou mais recente “eu sou uma bosta” produzem o mesmo resultado de gritar a plenos pulmões um “eu me amo”: ficar andando em círculos de afetos condicionais e autorreferentes, em vez de praticar, todo dia, algum tipo de delicadeza com nossos quilinhos a mais, nossa preguiça quase diária ou a ida para a Academia que foi enforcada mais uma semana. Emagrecimento e mudança de hábitos estão sempre condenadas ao fracasso se dependerem apenas da tal “força de vontade”. A força de vontade dura uns cinco dias ou o próximo churrasco, o que vier antes. Mudanças de hábitos alimentares ou de qualquer hábito, sobretudo os maus hábitos, dependem de mudança de consciência, inclusive da consciência do que é amar, o que é comer e que tipo de exercício queremos, ou não, fazer, física e mentalmente.
Imagino que seja isso. Autoestima começa e termina na capacidade de seu autoconhecimento e de relacionamento. Isso vale para o Sujeito e para o Outro. A delicadeza é para as duas mãos do “Amar o Próximo como a Si mesmo”.
Não é comum, entretanto, nem gostar de si nem muito menos olhar no espelho e encontrar alguém com quem se queira alguma proximidade. Olhamos os sinais da idade e do tempo avançando, os quilos ganhos nas férias e depois de mais alguns anos tememos o que se vai encontrar no espelho. Compaixão e delicadeza não deveriam ser exercícios praticados apenas com o Outro, ou o Necessitado, ou o menos afortunado, como ensinam as vozes carolas e os guias do Politicamente Correto. Delicadeza e compaixão consigo deveria ser a primeira lição de casa. E vem com um pacote de benefícios para o Outro, sobretudo o de deixar de conviver com alguém falsamente bondoso, mas que fica esperando o tempo todo que uma fanfarra de anjos celebre a sua bondade, ou, no caso, a sua falsa bondade.
A tal da autoestima não é mandar beijocas para a sua imagem no espelho, nem se presentear com cervejas e caixas de bombons, nem marcar um jantar em um lugar bacana consigo mesmo. Autoestima é diretamente proporcional à sua Altro Estima, inclusive a capacidade de se tratar a si próprio como outro. E tratar esse outro, que sou eu mesmo, significa ter uma relação de respeito, delicadeza e compaixão atuante sobre a própria vida e o próprio ser. Essa é a condição inicial para podermos exercitar essas mesmas qualidades com os que nos cercam, ou os que estão longe.
A tal da autoestima proposta nos programas de variedades ensinam, de uma forma direta ou indireta, como inflar o próprio ego positiva ou negativamente. Pode parecer estranho, mas qualquer um pode parar e imaginar quantas pessoas conhecemos que glorificam o próprio Ego sendo as piores, mais fracassadas e mais infelizes pessoas do mundo. Socar o próprio peito gritando “mea culpa”, ou mais recente “eu sou uma bosta” produzem o mesmo resultado de gritar a plenos pulmões um “eu me amo”: ficar andando em círculos de afetos condicionais e autorreferentes, em vez de praticar, todo dia, algum tipo de delicadeza com nossos quilinhos a mais, nossa preguiça quase diária ou a ida para a Academia que foi enforcada mais uma semana. Emagrecimento e mudança de hábitos estão sempre condenadas ao fracasso se dependerem apenas da tal “força de vontade”. A força de vontade dura uns cinco dias ou o próximo churrasco, o que vier antes. Mudanças de hábitos alimentares ou de qualquer hábito, sobretudo os maus hábitos, dependem de mudança de consciência, inclusive da consciência do que é amar, o que é comer e que tipo de exercício queremos, ou não, fazer, física e mentalmente.
Imagino que seja isso. Autoestima começa e termina na capacidade de seu autoconhecimento e de relacionamento. Isso vale para o Sujeito e para o Outro. A delicadeza é para as duas mãos do “Amar o Próximo como a Si mesmo”.
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